Archive for Maio 2013

Dá-lhe Bruno!

31 de maio de 2013

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Prós e Contras

28 de maio de 2013

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Os meus piores receios não foram capazes de prever tamanha manifestação de ignorância. A única coisa que me deixa satisfeita é que, como sempre, o contra teve a capacidade de se autoimolar. 


O bicho na cabeça dos outros

25 de maio de 2013

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Às vezes somos nós quem coloca o bicho na cabeça dos outros. Somos nós quem parte do principio que A ou B vai ter dificuldade em aceitar e/ou compreender a nossa sexualidade e a forma como a expressamos. E faço esta observação porque foi o que me ocorreu, depois de uma conversa com o G. – meu colega de trabalho e também gay – em que ele dizia que a maior luta que ainda tinhamos a travar era a da visibilidade. Claro que concordo com ele. É um facto assente. Mas, por experiência própria, sei também que muitas vezes confiamos pouco na capacidade de entendimento do outro. Fazêmo-lo por um instinto básico de auto-protecção e é uma atitude normal mas, às vezes, somos surpreendidos, apanhados na teia do nosso próprio preconceito. Porque também os temos...

Há três anos mudámos para a casa onde estamos hoje. Soubemos dela através de uma amiga e como se encaixava dentro daquilo que andávamos à procura – ser perto do trabalho e de acordo com o nosso orçamento – viemos de armas e bagagens viver na parte de cima da casa de duas “vélhinhas” de 82 e 84 anos respectivamente. Dada a idade das senhoras achámos por bem que teríamos de ter cuidado com demonstrações públicas de afecto. Não as conhecíamos bem e não queríamos incorrer no risco de as ofender. A sua idade merecia certa reverência e estávamos dispostas a isso; a respeita-las da mesmo forma que gostaríamos que nos respeitassem. Com candura.

Poucos dias depois de termos mudado e ainda com a casa virada do avesso e cheia de caixas e tralha a “vélhinha senhoria” pediu-nos para descermos à casa dela para vermos se nos interessava um sofá que ela tinha e podia dispensar. Não nos interessava mas ficámos a conversar um pouco com ela. A meio da conversa diz-nos:

- Ai, eu tenho que vos perguntar um coisa.

Deixámo-la à vontade para perguntar, convictas de que seria algum assunto relacionado com a casa, o aluguer ou a partilha das contas de luz e água mas nunca aquilo que ela, frontalmente, sem papas na língua, nos perguntou.

- Vocês estão bem assim, são felizes sem um homem? – quis saber. Ficámos sem fala, de boca aberta. Olhámos uma para a outra, com uma vontade imensa de rir, encolhemos os ombros e respondemos:

- Sim, Dona Ana, somos muito felizes sem homem.

- Então está bem – conclui ela – Se são felizes é o que importa. É o que se quer.

A nossa amiga deve ter-se descaído com algum comentário quando lhe disse que tinha duas pessoas interessadas na casa. Sempre nos esquecemos de lhe perguntar. Ou então a nossa senhoria, inteligente como é, uma vez que só tínhamos um cama, o que significava que dormíamos juntas; chegou às conclusões óbvias ou, pelo menos, à suspeita. E curiosa como também é, fez uma pergunta honesta que mereceu uma resposta honesta. E nós, que achávamos que por elas serem octagenárias tinham uma mentalidade retrógrada, levámos uma bela bofetada de luva branca. Não existia nenhum bicho na cabeça delas, apenas na nossa.

Agora, de uma forma bastante peculiar, somos  uma big happy familly. Elas são as “nossas meninas” e nós somos as delas. E isto ensinou-nos a ter um pouco de fé no outro e na sua capacidade de entendimento. Mesmo que, às vezes, leve o seu tempo a manifestar-se.

Grosso modo as surpresas - as boas - acontecem onde e quando não as esperamos.  

O Cavaco é que a sabe

18 de maio de 2013

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Talvez Cavaco tenha razão e a marota da virgem Maria ande por aí a fazer das suas. É que o que aconteceu ontem não era suposto ter acontecido e se a aprovação da lei não ocorreu por pura distracção então foi a tal intervenção divina de que falava o Aníbal. Some things really are meant to happen.

Convencidos de que a votação iria ser maioritariamente contra, à semelhança de outras votações sobre os mesmos assuntos, ninguém nos partidos se preocupou em saber qual era a tendência de voto dos seus deputados. Sobretudo nos partidos de direita.

O PS, ao contrário do que toda a gente esperava, votou quase todo a favor. A CDU idem aspas e o CDS não previu as suas abstenções. Os deputados do PSD que decidiram votar a favor calaram-se bem caladinhos porque não quiseram influenciar ninguém e, acto contínuo, ninguém os influenciou. 28 deputados faltaram.

Entre arrogância e distração e todo um conjunto de imponderabilidades passa uma lei que abre um conflito de direitos dentro da própria comunidade gay: uns podem co-adoptar, os outros não podem adoptar de todo. E este conflito interessa-nos... porque significa que  a lei começa a contradizer-se.

É uma vitória esta vitória mas ainda mais saborosa por ter acontecido bem debaixo dos seus arrogantes narizes. A consciência humana quando expressa em saudável liberdade opera maravilhas.

O espanto dos arrogantes quando foi revelada a votação? Priceless.

Ó diabos!

17 de maio de 2013

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Está dificil arranjar isto...


P.S – One must wait until July... LOL Nurture the Pirate in you… 

You rock my world. . .

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... e eu amo-te daqui até ao infinito.

A small step for man. . .

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É bom quando assinalamos as coisas boas que acontecem no nosso País, como hoje, com a aprovação da lei que permite a co-adopção entre casais do mesmo sexo. Repõe-se a justiça onde ela não existia e salvaguarda-se aquilo que era preciso proteger e que compete à sociedade proteger: o interesse maior e único da criança. E por isso, por este pequeno passo, fico imensamente contente. E imensamente orgulhosa por a democracia ter encontrado forte expressão no parlamento.

Mas ainda falta muito para que, efectivamente, sejamos todos iguais aos olhos da lei. Foi um pequeno passo, o primeiro que mais tarde servirá de alavanca para a aprovação da adopção para todos mas a sensação que me fica é de sabor a pouco. Ainda assim, hurray!, o mundo está a mudar à frente dos nossos olhos no que às questões LGBT diz respeito e poder assistir a isto e, de certa forma, ser parte disto, é um privilegio.

A luta continua.

TPM

13 de maio de 2013

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Os sintomas têm vindo a piorar com a passagem do tempo. Quanto mais velha fico mais sintomas arrecado. As dores - que quando era substancialmente mais nova não me atacavam - há muito que vieram para ficar e as alterações de humor... as alterações de humor... o que dizer das alterações de humor?

Grosso modo fico mais sensível, mais irritadiça, mais dark, mais resmungona e muito menos tolerante. Muito muito menos. O truque para sobreviver a estes dias e para que os outros também sobrevivam é remeter-me ao silêncio, manter um low-profile, fazer de conta que não estou no mundo, que fui ali ao lado e já volto.

Costuma resultar. Mas aliemos o TPM à tua ausência e encontramos a fórmula perfeita para the ultimate raging bitch. De tal modo bitch que me sinto na obrigação de avisar os meus colegas de trabalho de que tempestades se aproximam no horizonte.

Por este andar, quando estiver na menopausa, vão ter de me internar numa prisão de alta segurança. 

Nada. . .

5 de maio de 2013

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Da natureza do amor

4 de maio de 2013

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Há uns tempos, durante o almoço no refeitório da empresa, conversava-se sobre relações e sobre o sacrifício e/ou potencial sacrifício de estar longe da pessoa amada. A separação em questão dizia respeito à emigração e as minhas companheiras de repasto manifestavam-se veementemente contra aceitarem tal situação caso os companheiros ou maridos dessem a entender essa vontade. E claro que entendo essa posição, é muito duro estar longe de quem se gosta; mas o que me causou estranheza foram alguns dos argumentos apresentados. Que uma pessoa se habitua a estar longe do outro e que a rotina se altera ao ponto de, aquando do regresso, o que era de antes deixa de ser porque não se está disposta a abdicar de uma liberdade readquirida. Ou então que é mais fácil a tentação bater à porta e mais difícil de se negar perante essa tal readquirida liberdade: a de não ter de prestar contas a ninguém. E isso eu também entendo uma vez que considero que cada caso é um caso e que cada pessoa é diferente, com valores diferentes e determinações diferentes e com contas a ajustar, em última análise, apenas com a sua própria consciência. Entendo e ao mesmo tempo não. Claro que a vida é feita de imponderáveis mas, para mim, um compromisso é sempre um compromisso e existe independentemente de tudo o resto.

Enquanto elas falavam de liberdade na ausência do outro eu só pensava no quanto a minha percepção de liberdade mingua quando tu não estás e em como por dentro se me instala um sentimento de estranho vazio que não obedece a nenhuma disciplina a que tente obrigar-me para que a vida decorra normalmente até ao teu regresso.
E enquanto elas falavam de habituação à ausência eu só me lembrava dos nove meses que passaste na Holanda e na memória que tenho deles como uma grande prova de sobrevivência. Minha e tua. Em como a vida se colocou em suspenso e o calendário se transformou num simples dia. Um a seguir ao outro. Como se não houvesse passado. Como se não houvesse futuro. Apenas o hoje com a segurança das suas escassas 24 horas. Em nenhum momento fui capaz de me habituar à tua ausência e, hoje, à luz da distância, tenho muito respeito por esse nós que teve coragem para aguentar. Percebo agora que muitos não conseguiriam... nem se dariam ao trabalho.