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Isto nunca mais acaba. . .

22 de dezembro de 2015

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O ponto alto desta campanha de Natal - de que já estou farta até aos cojones - foi a senhora que me perguntou se tínhamos livros de "fixação cientifica". 

Do tipo... Isac Asimov para pregar na parede...?

Normal days @ the office

20 de fevereiro de 2015

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- Olhe, desculpe, dê-me uma informação que assim é mais rápido e não tenho de andar à procura. São tantos livros...

- Sim, claro, em que posso ajudar?

- Não terá assim um livro que fale sobre uma pessoa que está a aprender a tocar acordeão?

Um livreiro nestas ocasiões pestaneja muito – porque lhe apetece desatar num pranto e não fica bem expor-se ao mundo com tamanha demonstração de fraqueza emocional – e responde com o tom mais cordial que consegue arrancar das entranhas da sua miséria:

- Olhe, acredito que exista mas, infelizmente, nós não temos.

Numa nota mais cruel, porque o livreiro tem de morder a língua muitas vezes para não responder aquilo que lhe vai na alma, apetecia-me dizer-lhe:

- Olhe que pena não ter passado cá no início da semana!! Tinha-se encontrado com a cliente que nos perguntou se ainda tínhamos aquele livro com muitas imagens que se abria e parecia uma concertina.


Juro-vos que ambas as histórias me aconteceram esta semana. 

Santa Paciência

22 de novembro de 2014

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Perguntou-me se tínhamos livros da Clarice Listopan e deitou-me um ar reprovador quando questionei: "Listopan?". Que sim, insistiu, num tom que denunciou a crença de que, quase de certeza, não teríamos nada dela. E não é que tinha razão? Rebolei os olhos e encaminhei-o para a estante da Clarice Lispector. 


Outro pediu-me o “Feliz Mente ao Luar”. Quando lhe apresentei o “Felizmente há Luar” duvidou e disse que ia confirmar com a professora. 

O Livreiro como potencial homicida. . .

18 de julho de 2013

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Fazer uma reserva de livros escolares obedece a regras muitos simples. O encarregado de educação traz a lista dos livros que precisa, preenche uma ficha onde indica qual é o nome do aluno, qual é a escola que vai frequentar, qual o ano e quais os contactos.

Num mundo ideal, num mundo perfeito e minimamente civilizado, todo o ser humano com crias em idade escolar saberia as regras e procuraria cumpri-las. Não são complicadas e são muito do senso comum. Há coisas demasiado óbvias para serem contestadas.

Mas não. Não. Claro que não. Claro que, perante tudo aquilo que é óbvio há quem ache que, só porque sim, tem todo o direito de reclamar ou fazer birra.

Dentro da minha cabeça dou respostas lindas às birras dos meus clientes... e não são tão... hum... floreadas como os exemplos em baixo...

Tenho de preencher isto? Não basta deixar a lista?
[Basta. Temos um sistema de identificação de impressões digitais e isso é o suficiente para depois a avisarmos de que a sua encomenda está pronta. Ah, e somos mestres em telepatia. Também não precisa deixar o contacto.]

Mas tenho de preencher? O ano passado não era nada assim.
[Pois, não devia ser. O ano passado foi quando partiu as mãozinhas, não foi? Não podia escrever, pois coitadinha...]

Ai tenho de trazer lista? Pensei que era só dar o nome da escola e o ano...
[Sim, e também vamos buscar as notas do seu filho e assinamos termos de responsabilidade para visitas de estudo e zelamos pelo bem estar da amante do seu marido. E até faríamos o jeito – porque somos uns gaj@s porreir@s - de verificar se as listas estão publicadas no site da escola se não soubéssemos já que a escola em questão ainda não actualizou as mesmas.
E se perante essa justificação ainda me olha com cara de tacho e quase a dizer que a culpa de todos os males do universo é minha tem sorte de não lhe sugerir que, já que a escola fica ali a dois passos, o melhor é pegar no rabo e ir cumprir o seu dever de educador]

Vocês têm as listas, não têm?
[Neste momento só mesmo a das compras que tenho de fazer no supermercado mas arranjo-lhe a dos prémios Nobel]

O que é isto do Estabelecimento de Ensino?
[Duh?!?!? Tanto que me apetece exclamar isto, bem alto, quando são as marmanjas das crias com Iphone e Ipod e Icarago com app para tudo e mais alguma coisa – menos para as coisas banais da vida - a perguntar-me isso. Andam aqueles pobres pais a gastar dinheiro em livros para quê?]



Isto já não vai lá com dicionários da Porto Editora. Vou ver se ainda se arranja o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa.