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Uma mulher educa-se #1

14 de março de 2015

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Foi sempre tudo tão difícil que só me apetece abanar, até os ossos tilintarem, as mulheres que tomam tudo como garantido e caminham pelo mundo com a "delicadeza" de um bronco, nada acrescentando à sua passagem.

Humilhação e Glória

30 de setembro de 2013

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Acabei de ler “Humilhação e Glória” de Helena Vasconcelos e recomendo-o. Devia ser, inclusive, leitura obrigatória para todas as mulheres. Para que saibam de onde vêm e para onde vão.

Tem um único senão: deve ser lido em casa a horas que proíbam saídas impulsivas à procura de vingança. Não se recomenda a leitura em público sob risco de sair disparado das vossas mãos em direcção à testa de algum homem inocente.  

Da condição feminina

10 de julho de 2013

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Também a ler “Teresa e Isabel” de Violette Leduc – a tal novela tanto tempo censurada e tão tardiamente publicada – ocorreu-me ir ver em que ano foi publicado “Sexus” de Henry Miller. E qual o meu espanto – ou não – quando a wikipedia me revela que foi publicado em Paris – espantemo-nos com a cidade – em 1949. E espantemo-nos com a cidade porque, cinco anos mais tarde, no mesmo local das luzes e da modernidade, Violette Leduc vê recusada a publicação da sua novela. O porquê já sabemos. É um porquê que continua com amarras bem presas nos dias de hoje.

Leduc era mulher. Primeiro ponto. Bastaria apenas este.
Segundo ponto, Leduc era mulher e era lésbica.
Terceiro ponto, Leduc era mulher, lésbica e falava sem pudor e em pormenor da sexualidade e sensualidade femininas.
Quarto ponto, Leduc exultava o prazer feminino. Como podia tal?
Quinto ponto – que deve ter feito muita confusão na cabeça daqueles homens – Leduc exultava o prazer da mulher às mãos de outra mulher.
Sexto ponto, Leduc falava da sua própria experiência. A definitiva ousadia.

De Henry Miller diz-se que não há escritor mais honesto. Talvez. Não sei. Tinha vinte anos e consegui ler metade de “Sexus” – nunca mais lhe peguei. Talvez fosse o escritor mais honesto mas mesmo que não fosse era meritório desse elogio pelo simples facto de ser homem e falar despudoradamente do seu pénis murcho incapaz de perform – entre homens não há honestidade mais crua. E não está mal, não é o seu talento que está em causa mas a forma como se fazia – e ainda se faz – a escolha do que é bom e do que não vale a pena. Num mundo fálico, o editorial também, é óbvio sobre quem recai a escolha e o escárnio com que se deita ao lixo o que, para eles, não presta. Para com a mulher continuam a ter certa condescendência. 

Sou levada a pensar que a novela de Leduc não foi tanto censurada pelo seu conteúdo e pelas suas descrições mas por receio de que a sua revelação levasse à libertação da consciência da mulher e à reclamação dos seus direitos como ser sexual. É uma bela teoria da conspiração, não?


Não sou feminista ferrenha mas tendo a ser cada vez mais feminista. Sou-o por observação – salvo raras excepções - do comportamento masculino no meu local de trabalho e pelo comportamento masculino de uma forma geral. Sou-o também pela observação de um determinado comportamento feminino mas isso são outros quinhentos. A verdade é que isso da igualdade, volta e meia, faz-me rir.