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Vontade de fazer as malas. . .

7 de maio de 2015

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Há um mês a viagem começava assim. Que saudades temos.
(Ver no vimeo para better quality.)

My heart belongs to Gerês

16 de abril de 2015

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Nem sei como vos conte porque há coisas que só se entendem realmente quando experienciadas. Não sei como vos falar do cheiro sem que vos leve pela mão até à parte galega do Gerês e vos guie por entre a urze ou me embrenhe convosco pela Mata da Albergaria e nos faça perder, sem medo, pelos seus bosques de carvalhos milenares.
Não sei como vos falar do silêncio. É um silêncio entrecortado pelo barulho dos pássaros e pela presença constante de cursos de água mas silêncio, ainda assim. Um “silêncio” que não fere nem invade mas que nos envolve e sossega.
Não sei como vos falar da aspereza poética das montanhas, nem dos caminhos íngremes e estradas de sonho que as percorrem e da vontade que nos assola de nunca mais as deixar. De como nos sentimos tão pequenos perante tal imponência mas tão orgulhosos por ela ser nossa.
Não sei como vos falar da doçura das gentes, dos seus rostos curtidos pelo sol, das suas mãos ásperas pelo cajado que orienta os animais, do seu olhar que esconde dor e cansaço mas que ainda consegue sorrir-nos.
Não sei como vos falar da pureza da água, dos seus tons de verde e azul e de como a sua persistência ao longo do tempo esculpiu na rocha piscinas naturais para onde, apesar do frio, nos apetece mergulhar só porque sensação mais bela não deve haver.
Não sei como vos falar da exuberância do verde das árvores e da vegetação nem da força do azul das albufeiras nem de como paisagens lunares – de montanhas completamente despidas – davam lugar, na curva a seguir, a bosques de contos de fadas.
Não sei como vos falar desta coisa por dentro que, de repente, esquece a cidade e a sua impessoalidade e encontra sentido. Que, com maravilha, sente que está no momento em que deve estar, absorvendo a vida, e não nesse constante trânsito entre estados de alma.

E não consigo falar-vos da tristeza que nos toma na partida porque ainda a sinto. É agridoce, delicada, porque carrega em si a promessa e a certeza do regresso. É que vimos muito mas muito ficou ainda por ver. É preciso uma vida inteira para absorver o Gerês por isso, não percam tempo. Ide. Mas cuidado, podeis não querer voltar.