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Em guerra

9 de março de 2015

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Tenho uma espécie de sentimento contraditório em relação ao dia da mulher e em relação à luta pelos direitos das mulheres. Se por um lado julgo, obviamente, que são necessários e não se podem esquecer nem acreditar que assim já está bem; por outro, que raio!, estamos em pleno século XXI, era suposto já não ser preciso. Era suposto termos sido capazes de nos educar, assim como terem sido capazes de nos educar, em prol da igualdade e da consciência de que os direitos fundamentais são direitos fundamentais e não privilégio apenas de alguns.

E não, pensando melhor nem é bem um sentimento contraditório. É mesmo raiva! Raiva pela ineficácia das políticas e pela tão pouca vontade de mudar as coisas. Seja nas altas esferas seja em casa, no seio das famílias.

Sim, já percorremos um caminho muito grande e muito largo nestes 40 anos de democracia mas, ao mesmo tempo, parece que não. É desconcertante que haja necessidade de repetir constantemente os mesmos apelos e macabro que, ao fim de tanto tempo, de tantos anos, de tantos séculos, eles ainda não tenham sido realmente escutados e, sobretudo, aceites como válidos.

A esperança de que “água mole em pedra dura” surta o seu efeito não me conforta e desgasta-me porque na maior parte das vezes a sensação que sobra é a de que se fala contra uma imensa parede que, para além de estática é surda, muda e estúpida.