Amanhã já cá estás

29 de julho de 2012

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Gino Paoli - Senza Fine

Coisas que vale a pena ver, rever e guardar

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Na vida as coisas não são nem só pretas nem só brancas. Grosso modo são cinzentas. E uma absoluta confusão.
Kyss Mig é isso. É um filme sobre as inesperadas confusões que a vida nos apresenta,  sobre a forma como nos posicionamos perante elas e as resolvemos e de como as nossas decisões – ou a sua ausência -  afectam, com maior ou menor dano, todos à nossa volta.
É um filme muito honesto e sem papas na língua. É uma história de amor “real” com que nos podemos identificar, que não é absolutamente cor-de-rosa, que provoca mágoa e tem as suas perdas mas também os seus ganhos.
O facto de ser um filme gay ganha importância sobretudo porque, de todos os filmes de temática lésbica que vi até hoje é o que se destaca na forma como a “questão” é tratada. Não com o cunho da comédia associado, ou da tragédia, ou do falso moralismo mas com absoluta normalidade. É um filme Sueco e creio estar tudo dito.
Para além disso tudo, a fotografia do filme é uma personagem por direito próprio. Tão capaz, tão bem conseguida, num registo emocional tão perfeito que elimina em algumas cenas – e a realizadora sabia disso – a necessidade de diálogos. Alie-se a uma boa fotografia uma excelente interpretação e temos um filme a raiar a perfeição.

Of love and shadows

28 de julho de 2012

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Na véspera de te ires embora começa a formar-se sobre a minha cabeça uma leve nuvem negra. À medida que os dias avançam a nuvem começa a tomar contornos capazes de preocupar a Protecção Civil e de a levar a decretar estado vermelho em todos os distritos de Portugal continental e ilhas. Escurece a nuvem. Torna-se preta demónio. Expele raios e coriscos como torrentes de lava. Desce sobre a minha cabeça, dela só sobressaindo as minhas orelhas e a ponta do meu nariz. Transformo-me em nuvem e transito pelos dias numa espécie de transe auto-infligido. Se fizer de conta que o tempo não existe não o sinto passar e acumular em folhas brancas de silêncio.

Quando tu não estás só existe silêncio. Só existo pela metade. Finjo a docilidade e a candura que dizem serem minha característica para que a ordem do meu mundo não se quebre mas é complicado resistir à vontade hercúlea de gritar com toda a gente. Quando tu não estás só me apetece gritar com as pessoas e pareço ficar cega às qualidades, só lhes vejo defeitos. E não me apetece sorrir. E tudo em mim é um rastilho de mau humor que qualquer faísca, por mínima que seja, o pode fazer acender rumo a um resultado imprevisível. E não gosto de mim assim, tão no limite da tolerância.

Quando tu não estás o cansaço é mais incisivo. Custa mais a dormir. A cama é, ao mesmo tempo, demasiado grande e demasiado pequena. Todas as almofadas não chegam e nenhuma serve. Falta o teu corpo, a tua pele, o mandares-me calar porque ressono a toda a bolina. O acordar e chegar-me a ti para a melhor parte do sono.

E risco no calendário todas as provas da tua ausência mas, ainda assim, os dias somam-se e eu contabilizo. E encolho-me. Aquieto-me. Fundo-me com a poeira ao canto dos móveis e almejo ficar aí onde ninguém me vê nem eu tenho percepção do mundo.

Depois, na véspera do teu regresso, um subtil anticiclone faz dissipar a nuvem negra e a cor regressa aos meus olhos. E consigo ver-te novamente. E ver-me. E ver-nos. Só então recomeço.

Tenho dito!

8 de julho de 2012

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Tenho a clara sensação de que algo de muito macabro se passa neste País e de que, lentamente e serenamente, como dóceis ovelhas, nos deixamos guiar de regresso à Idade das Trevas.

E com beijos devorar-te a alma

6 de julho de 2012

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O que eu queria mesmo era recuperar a sensação de que o tempo é uma espiral infinita e delicada e em plena consciência de mim, sem a pressa desmedida do quotidiano - bebendo da vida o silêncio -, pousar a minha fronte na tua nuca e ficar em ti, onde tudo é absoluto e onde não existe ocaso. Apenas a suave fluidez do agora.




Imitação da vida

4 de julho de 2012

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LANTERNAS1

Para abrandar e encontrar sentido. Respirar. Reconectar.


Blur - Out of time

E é de espanto a ausência

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E ainda que plena toda a lógica, ainda que certa a realidade – constatada e assistida – viver a ausência é como tentar agarrar o fio da ideia que contém todo o entendimento e deixa-lo sempre escapar por entre os dedos. 


Do meu caracter

27 de maio de 2012

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Untitled

Para aí três vezes por dia dá-me vontade de rumar em direcção a uma vida com mais sentido, ainda que o conceito de “sentido” nem sempre seja fácil de definir. Sinto falta do contemplar, do quieto da observação e dos acordes que, cá por dentro, esse exercício fazia dedilhar. Sinto falta de reconhecer a beleza nas pessoas, de as olhar sem preconceitos nem juízos de valor grosso modo rudes e absolutamente desnecessários. Sinto falta do cinzel que sempre tinha à mão na intenção de me moldar, acertar, num carácter mais justo e sereno. Mais nobre. Sinto falta do silêncio.
Não sei se nenhuma substância se espreme de tudo quanto é absurdo na rotina - ultimamente não lhe tenho procurado o tutano - só sei que a rispidez dos nossos rostos, os nossos olhos alerta, os nossos sorrisos forçados estão nos antípodas das imagens de contida satisfação com que ainda sonho.

The Soft Voices Die

24 de maio de 2012

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Ao fim de tanto tempo continua-me a parecer ontem. E na minha cabeça como talvez, também, no meu coração; o tempo congelou entre o momento em que pestanejando deixo de ter ver e o momento em que, voltando a pestanejar, ainda aqui estás.

Brinda-se aos amores com o vinho da casa

20 de maio de 2012

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Café D'Oro

Algumas coisas teria feito de forma diferente. Mas não tu. Tu foste o salto sem rede no abismo e as asas que ganhei durante a descida.

18 de maio de 2012

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Há cerca de cinco anos este filme fez-me começar um blogue que, de certa forma… não, que mudou a minha vida de todas as formas. Iniciei-o com a premissa de que era hora de despertar, de que era urgente o despertar.
O caminho que a vida me fazia percorrer naquele momento sacudiu-me violentamente do sono que me entorpecia obrigando-me a enfrentar o deserto que sobra ao cessar da existência. Ao mesmo tempo ofereceu-me a vida na sua expressão mais doce e crua. Ofereceu-me caminho novo para andar e respostas acertadas às perguntas que por fim começava a fazer.
Ofereceu-me um caminho com pedras pontiagudas que magoaram os pés e espinhos afiados que rasgaram a carne mas, apesar de tudo, imensamente doce. E merecedor da mais acérrima luta.
Cinco anos depois há outros aspectos da vida sobre os quais é preciso manter a vigília. Perante os quais não me posso permitir vacilar. Se existe arte e vontade pois então que a arte seja mais do que mero desejo. Que seja expressão. E reflexão. E que com esta premissa também o que em mim é o almejado prumo não se desvaneça no horizonte sem que consiga alcança-lo.