Silly day

4 de julho de 2013

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Dia de folga com um calor infernal e eu fechada em casa à espera de um homem que era suposto ter vindo ver os canos da varanda. Ela manda-me mensagens a dizer que acabou de vender creme de vinho do Porto e, claro, respondo-lhe à altura... 

... pode-se fazer muita coisa com creme de vinho do Porto... 

... po-lo no pão, por exemplo... 

... e isso... 

Os winds of change do Nepal

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Things to wait for

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Nem nos meus wildest dreams...

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... julguei possível tal palhaçada. E toda a minha adolescência foi passada sob o jugo dos governos de Cavaco... o que foi mau... mas... apesar de tudo, não tão absurdo... 

Abriu a época da caça

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Objectos e/ou outras coisas que deverão manter afastados de mim nos próximos 3 meses:

- Dicionários da Porto Editora, independentemente da cor e do tamanho;
- X-actos;
- Tesouras, incluindo as que não cortam;
- Lápis afiados e canetas de bico fino;
- Agrafadores, com ou sem agrafos;
- Estagiários peso-pluma que possam ser arremessados sem dificuldade;
- Estagiários nem por isso peso-pluma mas que, após esforço, possam voar pelos ares;
- Pais que se demitem das suas funções (que nem sequer passam na escola a pedir a lista dos livros) e que só falta exigirem que sejamos nós, livreiros, a educar os seus filhos.

É que não há pachorra para tanto “deixa estar que eles resolvem...” 
E isto ainda só agora começou...

Manual para psicopatas

30 de junho de 2013

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O que responder a uma pessoa que nos pergunta se temos o “Como Fazer Amigos e Silenciar Pessoas?” 

Coisas que nos deviam dizer

28 de junho de 2013

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Conselhos úteis para a vida #1


- Não bebam granizado de vinho do Porto como se estivessem a comer gelado porque vão para casa a cantar o fado.

Show your pride

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Estatísticas

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Estamos sentadas no sofá a ver televisão, completamente moles e a padecer de calor - das janelas abertas nem uma brisa - quando, do nada, bufando, diz ela:

- Não entendo como é que podem dizer que as pessoas fazem mais sexo no verão!

O inesperado da afirmação faz-me rir mas depois, quando se levanta, reparo outra vez em como o vestido de trazer por casa lhe assenta tão bem e em como deixa à mostra as pernas que tanto gosto de catrapiscar e penso cá para comigo:

- Fazem pela fresquinha, meu amor. Fazem pela fresquinha... 

Afinidades

26 de junho de 2013

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Não tenho o livro da minha vida, o autor da minha vida, o filme ou realizador da minha vida. Tenho uma pequena lista de simpatias e afinidades. Não existiu obra ou artista que tivessem remexido e alterado as minhas entranhas mas existiram companheiros de viagem que deixaram em mim a marca indelével de uma sensação. Lembro-me da experiência de leitura de determinada obra pela sensação que me deixou mais do que pela epifania de um paragrafo.

“Germinal” de Zola, “O Amante” de Margueritte Duras, “O Estrangeiro” de Camus, “Ilhas na Corrente” de Hemmingway, “O Leitor” de Bernhard Schlink, “Desgraça” de J. M. Coetzee, “O Livro das Ilusões” de Paul Auster, “Viúva por um ano” de John Irving, “Cartas a Sandra” de Vergílio Ferreira são algumas das afinidades que deixaram depósito em mim. Que deixaram a memória de uma sensação e que, tal como a memória olfactiva, vão resgatando momentos da minha vida: os que são motivo de regozijo e aqueles que não preferindo esquecer trazem nas entrelinhas o saber acre da dor.  

Hoje, numa daquelas feiras de edições e/ou editoras mortas num centro comercial da baixa, comprei por cinco euros o livro “Teresa e Isabel” de Violette Leduc e ao ler os primeiros capítulos enquanto esperávamos pela hora do lanche como pretexto para escapar ao calor da rua, senti que, muito possivelmente, estaria perante outra feliz afinidade.

Escrito em 1948 e proposto para edição em 1954 “Teresa e Isabel” foi sucessivamente censurado pelas editoras em nome de uma moral castradora que achava escandalosa a liberdade com que a autora escrevia sobre o amor e a sexualidade entre mulheres. E considerando a época é efectivamente surpreendente a ousadia e, sobretudo, a coragem de escrever de forma tão despida sobre o amor e a forma como se expressa. Claro que aos censores escapou toda a doçura e poesia das palavras. Parágrafos inteiros de beleza que demoraram mais de dez anos a chegar a quem pode, por fim, compreende-la.

Ela agarrou no meu livro, na minha lanterna, deitou-me quase nas suas pernas. Depois levantou-me guardando-me nos seus braços. Ela tinha tido um lançar de movimentos ousados comparados ao lançar de um arco-iris intrépido. Os seus lábios abriram os meus sem os forçar, entraram, demoraram-se como aventureiros tímidos sobre os meus dentes que eu fechava. Durante esse instante de imobilidade, que nos era pessoal, a terra parou de girar, os homens cessaram de nascer, de viver, de morrer. O tempo, o espaço, os objectos, a consciência de nós mesmos tinham sido abolidos. Nós não existíamos a não ser nos nossos lábios unidos. Existíamos neles como sonâmbulas que não dormem. Os seus lábios moveram-se, escorregaram sobre os meus dentes, misturaram a minha saliva com a dela, voltaram a vir, voltaram a partir, retomaram no começo de novo beijo. Eles regressavam outra vez, puxavam ainda a sua carne, a sua saliva, a minha. Da sua lentidão, nascia o quadro vivo da lentidão e da doçura. Na minha boca, uma barcaça, e outra, e outra passavam. Os seus lábios e os meus dentes eram rio, barcaça, cavalos de sirgagem, que avançavam. À medida que as idas e vindas se renovavam, se prolongavam, eu descia, nó após nó, numa noite nova. Sob esse vaivém de beijos, sob lábios que se serviam do que lhes resistia eu era um sol que aquecia a noite.”



Parece-me bem

25 de junho de 2013

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Untitled Grafitti na Rua de Santa Catarina.

São João e luas gordas

24 de junho de 2013

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Supermoon

Não fomos ao São João. Não tivemos pernas para a folia. Mas vimos os balões – imensos – a voar pelo céu e a parte de cima do fogo de artificio. O vizinho veio oferecer sardinhas e caldo verde e com uma bejeca fresca ficou feita a festa. Para o ano vamos para o bailarico. Está prometido. 

A lua apanhámo-la escondida atrás do retransmissor do Monte da Virgem. 

Buracos e pó

20 de junho de 2013

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A televisão tem-se aguentado, a nossa casa é que parece ter sido transportada para a Faixa de Gaza. 

Electrodomésticos assombrados

18 de junho de 2013

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Mal entrei de férias, no início do mês, avariou o esquentador. Mas daquelas avarias que não são de morte súbita mas de só funcionar quando lhe dava na real gana, ou seja, sempre que púnhamos o pé no duche para tomar banho.

Hoje acordámos ao som do martelo pneumático. Vão fazer um reshape à casa e deitar abaixo umas coisas para arranjarem outras. Ora bem, a televisão não gostou do barulho matinal e pouco demorou a demonstrar o seu desagrado ligando-se sózinha. E não há nada mais irritante do que uma televisão que se vai ligando e desligando quando muito bem lhe apetece.

Vamos ver como se porta nos próximos dias senão lá temos de regressar à assistência técnica... ou ir à bruxa...

Crafts 2

9 de junho de 2013

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À segunda tentativa continuou a faltar alguma coisa – esqueci-me de inverter as imagens – mas o resultado com impressão a laser é um bilião de vezes melhor. Agora apetece-me limar o trabalho de ontem e fazê-lo de novo.


E claro que vamos dar companhia à Pin-Up. Jamais haverá uma Pin-Up alone em nossa casa. 

Crafts

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Coisas que devia ter feito:
- limar a madeira;
- usar impressão a laser


Tirando isso, para primeira experiência, até que nem ficou mal. 

Arts and Crafts

8 de junho de 2013

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Há muito tempo que queria experimentar esta técnica de transferência de fotografia para madeira e hoje, que me lembrei de comprar o produto necessário, cá andei a decorar as caixas e caixinhas que a Isabel tem e onde guarda a sua – cada vez maior – coleção de Tarot’s.


Amanhã, porque as obras de arte têm de ficar uma noite inteira a secar, vamos ver que tal ficam. Se forem aprovadas já temos prendas para dar no Natal. 

I had a feeling that I could be someone

7 de junho de 2013

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Não tem o kick de Tracy Chapman – vénias e saudades muchas – mas sabe bem ouvir. 

Get Lucky

6 de junho de 2013

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Diz ela que esta versão é melhor do que a original. Eu gosto das duas...  

Flores Raras

5 de junho de 2013

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Tem muito, muito, muito boa pinta. Não só pelo que interessa da história – a relação entre as duas – mas por tudo. E quando um filme soa a “tudo” então é porque deve valer a pena.

Esperemos que venha para os nossos cinemas senão o pirata em nós terá de penar.  

O lobby gay do espaço *

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para o Marinho Pinto se espumar de raiva. 

Tiananmen

4 de junho de 2013

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Passaram 24 anos mas lembro-me como se tivesse sido ontem. Não podíamos acreditar no que estava a acontecer lá da mesma forma que, hoje, continuamos a não acreditar no que vai acontecendo por aí. Nada se aprende.

Da verdade absoluta

2 de junho de 2013

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Fiz 38 anos e quanto mais o tempo passa mais eu sinto que me falta aprender qualquer coisa de absolutamente essencial. 

Dá-lhe Bruno!

31 de maio de 2013

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Prós e Contras

28 de maio de 2013

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Os meus piores receios não foram capazes de prever tamanha manifestação de ignorância. A única coisa que me deixa satisfeita é que, como sempre, o contra teve a capacidade de se autoimolar. 


O bicho na cabeça dos outros

25 de maio de 2013

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Às vezes somos nós quem coloca o bicho na cabeça dos outros. Somos nós quem parte do principio que A ou B vai ter dificuldade em aceitar e/ou compreender a nossa sexualidade e a forma como a expressamos. E faço esta observação porque foi o que me ocorreu, depois de uma conversa com o G. – meu colega de trabalho e também gay – em que ele dizia que a maior luta que ainda tinhamos a travar era a da visibilidade. Claro que concordo com ele. É um facto assente. Mas, por experiência própria, sei também que muitas vezes confiamos pouco na capacidade de entendimento do outro. Fazêmo-lo por um instinto básico de auto-protecção e é uma atitude normal mas, às vezes, somos surpreendidos, apanhados na teia do nosso próprio preconceito. Porque também os temos...

Há três anos mudámos para a casa onde estamos hoje. Soubemos dela através de uma amiga e como se encaixava dentro daquilo que andávamos à procura – ser perto do trabalho e de acordo com o nosso orçamento – viemos de armas e bagagens viver na parte de cima da casa de duas “vélhinhas” de 82 e 84 anos respectivamente. Dada a idade das senhoras achámos por bem que teríamos de ter cuidado com demonstrações públicas de afecto. Não as conhecíamos bem e não queríamos incorrer no risco de as ofender. A sua idade merecia certa reverência e estávamos dispostas a isso; a respeita-las da mesmo forma que gostaríamos que nos respeitassem. Com candura.

Poucos dias depois de termos mudado e ainda com a casa virada do avesso e cheia de caixas e tralha a “vélhinha senhoria” pediu-nos para descermos à casa dela para vermos se nos interessava um sofá que ela tinha e podia dispensar. Não nos interessava mas ficámos a conversar um pouco com ela. A meio da conversa diz-nos:

- Ai, eu tenho que vos perguntar um coisa.

Deixámo-la à vontade para perguntar, convictas de que seria algum assunto relacionado com a casa, o aluguer ou a partilha das contas de luz e água mas nunca aquilo que ela, frontalmente, sem papas na língua, nos perguntou.

- Vocês estão bem assim, são felizes sem um homem? – quis saber. Ficámos sem fala, de boca aberta. Olhámos uma para a outra, com uma vontade imensa de rir, encolhemos os ombros e respondemos:

- Sim, Dona Ana, somos muito felizes sem homem.

- Então está bem – conclui ela – Se são felizes é o que importa. É o que se quer.

A nossa amiga deve ter-se descaído com algum comentário quando lhe disse que tinha duas pessoas interessadas na casa. Sempre nos esquecemos de lhe perguntar. Ou então a nossa senhoria, inteligente como é, uma vez que só tínhamos um cama, o que significava que dormíamos juntas; chegou às conclusões óbvias ou, pelo menos, à suspeita. E curiosa como também é, fez uma pergunta honesta que mereceu uma resposta honesta. E nós, que achávamos que por elas serem octagenárias tinham uma mentalidade retrógrada, levámos uma bela bofetada de luva branca. Não existia nenhum bicho na cabeça delas, apenas na nossa.

Agora, de uma forma bastante peculiar, somos  uma big happy familly. Elas são as “nossas meninas” e nós somos as delas. E isto ensinou-nos a ter um pouco de fé no outro e na sua capacidade de entendimento. Mesmo que, às vezes, leve o seu tempo a manifestar-se.

Grosso modo as surpresas - as boas - acontecem onde e quando não as esperamos.  

O Cavaco é que a sabe

18 de maio de 2013

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Talvez Cavaco tenha razão e a marota da virgem Maria ande por aí a fazer das suas. É que o que aconteceu ontem não era suposto ter acontecido e se a aprovação da lei não ocorreu por pura distracção então foi a tal intervenção divina de que falava o Aníbal. Some things really are meant to happen.

Convencidos de que a votação iria ser maioritariamente contra, à semelhança de outras votações sobre os mesmos assuntos, ninguém nos partidos se preocupou em saber qual era a tendência de voto dos seus deputados. Sobretudo nos partidos de direita.

O PS, ao contrário do que toda a gente esperava, votou quase todo a favor. A CDU idem aspas e o CDS não previu as suas abstenções. Os deputados do PSD que decidiram votar a favor calaram-se bem caladinhos porque não quiseram influenciar ninguém e, acto contínuo, ninguém os influenciou. 28 deputados faltaram.

Entre arrogância e distração e todo um conjunto de imponderabilidades passa uma lei que abre um conflito de direitos dentro da própria comunidade gay: uns podem co-adoptar, os outros não podem adoptar de todo. E este conflito interessa-nos... porque significa que  a lei começa a contradizer-se.

É uma vitória esta vitória mas ainda mais saborosa por ter acontecido bem debaixo dos seus arrogantes narizes. A consciência humana quando expressa em saudável liberdade opera maravilhas.

O espanto dos arrogantes quando foi revelada a votação? Priceless.

Ó diabos!

17 de maio de 2013

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Está dificil arranjar isto...


P.S – One must wait until July... LOL Nurture the Pirate in you… 

You rock my world. . .

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... e eu amo-te daqui até ao infinito.

A small step for man. . .

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É bom quando assinalamos as coisas boas que acontecem no nosso País, como hoje, com a aprovação da lei que permite a co-adopção entre casais do mesmo sexo. Repõe-se a justiça onde ela não existia e salvaguarda-se aquilo que era preciso proteger e que compete à sociedade proteger: o interesse maior e único da criança. E por isso, por este pequeno passo, fico imensamente contente. E imensamente orgulhosa por a democracia ter encontrado forte expressão no parlamento.

Mas ainda falta muito para que, efectivamente, sejamos todos iguais aos olhos da lei. Foi um pequeno passo, o primeiro que mais tarde servirá de alavanca para a aprovação da adopção para todos mas a sensação que me fica é de sabor a pouco. Ainda assim, hurray!, o mundo está a mudar à frente dos nossos olhos no que às questões LGBT diz respeito e poder assistir a isto e, de certa forma, ser parte disto, é um privilegio.

A luta continua.

TPM

13 de maio de 2013

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Os sintomas têm vindo a piorar com a passagem do tempo. Quanto mais velha fico mais sintomas arrecado. As dores - que quando era substancialmente mais nova não me atacavam - há muito que vieram para ficar e as alterações de humor... as alterações de humor... o que dizer das alterações de humor?

Grosso modo fico mais sensível, mais irritadiça, mais dark, mais resmungona e muito menos tolerante. Muito muito menos. O truque para sobreviver a estes dias e para que os outros também sobrevivam é remeter-me ao silêncio, manter um low-profile, fazer de conta que não estou no mundo, que fui ali ao lado e já volto.

Costuma resultar. Mas aliemos o TPM à tua ausência e encontramos a fórmula perfeita para the ultimate raging bitch. De tal modo bitch que me sinto na obrigação de avisar os meus colegas de trabalho de que tempestades se aproximam no horizonte.

Por este andar, quando estiver na menopausa, vão ter de me internar numa prisão de alta segurança. 

Nada. . .

5 de maio de 2013

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Da natureza do amor

4 de maio de 2013

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Há uns tempos, durante o almoço no refeitório da empresa, conversava-se sobre relações e sobre o sacrifício e/ou potencial sacrifício de estar longe da pessoa amada. A separação em questão dizia respeito à emigração e as minhas companheiras de repasto manifestavam-se veementemente contra aceitarem tal situação caso os companheiros ou maridos dessem a entender essa vontade. E claro que entendo essa posição, é muito duro estar longe de quem se gosta; mas o que me causou estranheza foram alguns dos argumentos apresentados. Que uma pessoa se habitua a estar longe do outro e que a rotina se altera ao ponto de, aquando do regresso, o que era de antes deixa de ser porque não se está disposta a abdicar de uma liberdade readquirida. Ou então que é mais fácil a tentação bater à porta e mais difícil de se negar perante essa tal readquirida liberdade: a de não ter de prestar contas a ninguém. E isso eu também entendo uma vez que considero que cada caso é um caso e que cada pessoa é diferente, com valores diferentes e determinações diferentes e com contas a ajustar, em última análise, apenas com a sua própria consciência. Entendo e ao mesmo tempo não. Claro que a vida é feita de imponderáveis mas, para mim, um compromisso é sempre um compromisso e existe independentemente de tudo o resto.

Enquanto elas falavam de liberdade na ausência do outro eu só pensava no quanto a minha percepção de liberdade mingua quando tu não estás e em como por dentro se me instala um sentimento de estranho vazio que não obedece a nenhuma disciplina a que tente obrigar-me para que a vida decorra normalmente até ao teu regresso.
E enquanto elas falavam de habituação à ausência eu só me lembrava dos nove meses que passaste na Holanda e na memória que tenho deles como uma grande prova de sobrevivência. Minha e tua. Em como a vida se colocou em suspenso e o calendário se transformou num simples dia. Um a seguir ao outro. Como se não houvesse passado. Como se não houvesse futuro. Apenas o hoje com a segurança das suas escassas 24 horas. Em nenhum momento fui capaz de me habituar à tua ausência e, hoje, à luz da distância, tenho muito respeito por esse nós que teve coragem para aguentar. Percebo agora que muitos não conseguiriam... nem se dariam ao trabalho.

Woodkid

30 de abril de 2013

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Do retorno

26 de abril de 2013

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Era das histórias que se contavam lá por casa quando era miúda. Do dia em que, ouvindo na rádio, se ficou a saber em Angola que havia revolução na Metrópole. Eu ainda não existia. Haveria de me concretizar meses depois e quase nascer lá, não tivesse a minha mãe, no termino da gravidez, sido resgatada pela ponte aérea.

Não me imagino a viver num País onde não tivesse acontecido a nossa revolução, muito menos num País com uma guerra interminável mas - ainda que cada vez menos - de vez em quando ainda me pergunto como teria sido a nossa vida se as coisas, com revolução e armistício, tivessem sido diferentes. 

Before midnight

25 de abril de 2013

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Provavelmente a melhor triologia ever. Mal posso esperar para ver.

Love is All You Need?

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É um bocadinho pesado lá para o final mas, como exercicio, está muito bom e passa muito bem a mensagem. 

Vive la France!

23 de abril de 2013

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15º País a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. E também a adopção. Bons motivos para celebrar e para nos orgulharmos. 
 

Sobre os blogs

22 de abril de 2013

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... e a propósito deste post


Quando me questionei pela primeira vez sobre se não andaria a investir o meu tempo na equipa errada descobri que os sinais tinham sido absolutamente óbvios mas que, por falta de referências, me tinham passado ao lado.

Na altura pairava sobre as relações – ou sobre o que com elas se asselhava  – como espectadora de mim própria, dando-me conta de que representava um papel mais do que o vivia e que, ainda que não por culpa deles, o meu desinteresse súbito e inexplicável na pessoa,  assim que se cumpriam os jogos de sedução,  era o meu padrão de comportamento.

Reconhecendo esse padrão  assumia a existência de um problema e reconhecia que havia algo em mim que nem por isso funcionava muito bem. Reafirmo que a culpa não era deles. Não era. Na verdade não era culpa de ninguém. Se tanto, apenas da minha imensa distracção.

Ao ter começado a prestar atenção descobri um mundo novo, pleno de possibilidades; absolutamente desconhecido e de certa forma assustador. Ali estava eu com outra consciência de mim, a iniciar o processo de reescrever parte da minha identidade e absolutamente ignorante.

Os blogs, na sua época áurea – antes que o facebook tivesse “silenciado” tantas vozes - foram determinantes na construção dessa nova identidade.  Li muito. Aprendi muito. Descobri que a minha imensa distracção não era só minha mas de mais gente e que a coragem não chega de ânimo leve e dói.

Não considero que me tenha descoberto tarde demais. Descobri-me na altura certa. Olhando para trás nada nem ninguém foi tempo perdido. Tudo foi parte de um processo de aprendizagem que me enriqueceu e permitiu que, sem violência, serenada, pudesse aceitar a minha verdadeira natureza e pudesse olhar para ela como um previlégio.

Tudo isto teria sido um pouco mais complicado se não tivesse existido a experiência dos outr@s para comparar a minha e para compreender a minha. Se na experiência dos outr@s não tivesse encontrado as referências que ao longo da vida me faltaram e se na experiência dos outr@ não tivesse encontrado motivos para me orgulhar da minha. E de mim. 

Um pouco por conta dessa boa experiência e muito por cansaço da informação pronta a comer - de que só se digere 1/3 - do facebook regressei aos blogs. Aqui há mais tempo. Há mais sentido, mais conteúdo. E mais o sentido de comunidade. É quase como regressar a casa. E se, de alguma forma, a minha experiência, aliada à vossa experiência, puder ajudar outros no caminho da descoberta e da compreensão, então está servido o propósito da reciprocidade. 

A curva no caminho

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A minha curva no caminho que, tal como a C. S. Lewis, encerra o meu ideal de felicidade. Essa ilusão tão enraizada na infância -  e tão presente na idade adulta - de que não existe mais chão que valha a pena pisar do que aquele. E tu. Sempre tu. Sempre tu ao cimo do povo esperando para te fazeres vida dentro de mim. E eu. Eu que num rasgo de luz te resgato e não te devolvo.

Mas apenas ficas comigo durante o instante em que as nossas mãos se tocam. Levemente. Quando dou conta já não estás. Já não sou. 

Denial

21 de abril de 2013

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Pudessem os Domingos ser como já foram, feitos de horas de lânguida preguiça, de corpos estirados no sofá, com três filmes na televisão para ver e junk food a acompanhar. Tenho de me levantar para trabalhar daqui a algumas horas e não me apetece ir já para a cama...

The world will just carry on

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Ou quando apetece estar no Parlamento para dizer muito bem, muito bem...



Get Ready

20 de abril de 2013

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In your arms i feel sunshine

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Melhor do que dias de folga com sol e calor só mesmo passar quality time contigo.

Pocket Symphonies

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Right to Love

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Vimos este documentário no Ciclo de Cinema LGBT organizado pela ILGA no Porto e agora que está disponível no youtube recomendamo-lo. O mundo vai mudando no que aos nossos direitos diz respeito mas na Europa, em particular, há muito ainda a ser feito e é importante que saibamos o quê e onde para tomarmos parte e partido. É também bom sabermos que não estamos sozinhos e que as questões que nos acossam não são apenas nossas para suportar.

New Zeland

17 de abril de 2013

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Hoje, enquanto ela terminava de preparar o jantar, fui ao computador espreitar o Público e o Facebook. Neste último leio que a Nova Zelândia aprovou a lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo e comento o facto animada. Ela diz-me que já pôs “gosto” na notícia e eu “informo” que vou partilhar. Out of the blue, misturando a salada, sai-lhe isto:

- Claro que sim! Ou não fosses tu o “Borda D’Agua” das lésbicas. 


... o que uma mulher atura...