Apparat

16 de julho de 2013

No Comments »



Ouvir Apparat será sempre uma experiência embrulhada em emoções contraditórias. Está impregnado de ti que mo deste a conhecer e impregnado de perda porque foi a banda sonora dos dias que precederam a partida da minha mãe. Talvez por isso signifique para mim a vida e os seus extremos e aquilo que de entremeio se lhe queda e que sou eu.


Parece que esta altura o pede sempre para ouvir. Só um pouquinho de cada vez. Todos os anos se inicia em mim esta espécie de contagem decrescente e já não tento contraria-la. Faz parte. É como se, tendo presente os dias e os momentos, pudesse tocar-me o ombro, o meu ombro de então, e me pudesse dizer baixinho ao ouvido: “Tem calma. Vais conseguir sobreviver a isto”. 

Nicolas Jaar

No Comments »

& It Was U

No Comments »

Farta de electrodomésticos com mau génio

13 de julho de 2013

4 Comments »

O update semanal indica que a máquina de lavar roupa já voltou a funcionar às mil maravilhas. Os homens das obras é que, de tanto a tirarem e porem no sítio, acabaram por ligar mal os tubos.

Hoje, por coincidência também de folga – as minhas folgas parecem estar condenadas – acordei, tardííííííssimo, para uma arca congeladora tão cheia de gelo que não fechava. Tudo bem que a culpa foi nossa que a deixámos mal fechada mas tenham dó. Não há nada mais estúpido na vida do que estar de joelhos, com o secador de cabelo em riste, investindo contra blocos de gelo na tentativa desesperada daquilo derreter mais depressa...


Na próxima folga vou para um Hotel... 

... e agora vou ter com ela. 

Hoje jantamos fora, não vá o fogão lembrar-se... 

Sadistic bastard

12 de julho de 2013

2 Comments »



Hilariante! Até tenho medo de continuar a ver a season 3... 

Paul Theroux

No Comments »

Disse-me um Adivinho” foi dos livros mais divertidos e instrutivos que li nos últimos anos. Agora faço a viagem ao contrário usando outros olhos para me guiarem. Tenho a impressão de que a aventura vai ser, também, para não mais esquecer. 

It feels like something

No Comments »



Saber-te é, às vezes, perto da perfeição.

A Gaiola Dourada

2 Comments »



Será para ter medo? Muito medo? Mas tem a Rita Blanco... por isso, se calhar... buenas noches! 

Amigos com piada. . .

11 de julho de 2013

No Comments »















...que nos trazem lembranças giras de Londres. 

I Follow You Deep Sea Baby

10 de julho de 2013

2 Comments »

Da condição feminina

6 Comments »



























Também a ler “Teresa e Isabel” de Violette Leduc – a tal novela tanto tempo censurada e tão tardiamente publicada – ocorreu-me ir ver em que ano foi publicado “Sexus” de Henry Miller. E qual o meu espanto – ou não – quando a wikipedia me revela que foi publicado em Paris – espantemo-nos com a cidade – em 1949. E espantemo-nos com a cidade porque, cinco anos mais tarde, no mesmo local das luzes e da modernidade, Violette Leduc vê recusada a publicação da sua novela. O porquê já sabemos. É um porquê que continua com amarras bem presas nos dias de hoje.

Leduc era mulher. Primeiro ponto. Bastaria apenas este.
Segundo ponto, Leduc era mulher e era lésbica.
Terceiro ponto, Leduc era mulher, lésbica e falava sem pudor e em pormenor da sexualidade e sensualidade femininas.
Quarto ponto, Leduc exultava o prazer feminino. Como podia tal?
Quinto ponto – que deve ter feito muita confusão na cabeça daqueles homens – Leduc exultava o prazer da mulher às mãos de outra mulher.
Sexto ponto, Leduc falava da sua própria experiência. A definitiva ousadia.

De Henry Miller diz-se que não há escritor mais honesto. Talvez. Não sei. Tinha vinte anos e consegui ler metade de “Sexus” – nunca mais lhe peguei. Talvez fosse o escritor mais honesto mas mesmo que não fosse era meritório desse elogio pelo simples facto de ser homem e falar despudoradamente do seu pénis murcho incapaz de perform – entre homens não há honestidade mais crua. E não está mal, não é o seu talento que está em causa mas a forma como se fazia – e ainda se faz – a escolha do que é bom e do que não vale a pena. Num mundo fálico, o editorial também, é óbvio sobre quem recai a escolha e o escárnio com que se deita ao lixo o que, para eles, não presta. Para com a mulher continuam a ter certa condescendência. 

Sou levada a pensar que a novela de Leduc não foi tanto censurada pelo seu conteúdo e pelas suas descrições mas por receio de que a sua revelação levasse à libertação da consciência da mulher e à reclamação dos seus direitos como ser sexual. É uma bela teoria da conspiração, não?


Não sou feminista ferrenha mas tendo a ser cada vez mais feminista. Sou-o por observação – salvo raras excepções - do comportamento masculino no meu local de trabalho e pelo comportamento masculino de uma forma geral. Sou-o também pela observação de um determinado comportamento feminino mas isso são outros quinhentos. A verdade é que isso da igualdade, volta e meia, faz-me rir. 

Do Policial Nórdido

No Comments »



Stieg Larsson colocou a fasquia muito alta. E é chato quando queremos encontrar substitutos e não há quem lhe chegue aos calcanhares.

Já li Camila Lackberg e Lars Kepler mas não me convenceram. Agora estou a terminar Karin Fossum, a dita senhora do crime Norueguês. Ainda não decidi se gosto ou não. É um romance estranho, o que me leva a concluir que os noruegueses são estranhos, mas é, ainda assim, um romance que está noutra dimensão; muito superior a Lackberg e a Kepler.


É um policial de ambientes - desolados – que nos faz entranhar debaixo da pele das personagens e nos leva, contra a nossa vontade, a criar empatia com elas; como se nos reconhecesemos um pouco iguais no dano que a vida nos provocou e na constatação do facto de que a resiliência não opera em todo o espectro da alma. 

Da preguiça

3 Comments »

Tenho a impressão de que ela, antes de sair para o trabalho, me pediu para comprar Raid porque estávamos com uma invasão de formigas... mas agora que me levantei não encontro formigas em lado nenhum, o que significa que sonhei isso tudo. Tenho de lhe perguntar... sob risco de ser gozada durante os próximos seis meses...

Apetecia-me sair e fazer qualquer coisa de útil mas sempre que me levanto do sofá ele começa a chorar convulsivamente.  Não o posso abandonar à sua triste agonia.  

Ler, ver um filme, trabalhar no Photoshop... pim pam pum... talvez dormir uma soneca.

E alvíssaras, hoje está quase frio!


Adenda: há formigas, há. Estavam todas escondidas dentro do açucareiro...
Adenda 2: se havia formigas no açucareiro... e se da primeira vez que tomei café não reparei - porque estava podre de sono - então... é mais do que provável que tenha bebido formigas... 
Adenda 3 - se bebi... souberam-me a pato... 

Coisas que me irritam profundamente:

9 de julho de 2013

No Comments »

- a caneta com que escrevo melhor e com a qual mais gosto de escrever e que defendo - à força de rosnar - das mãos alheias aka  “senhores meus colegas”;  cair, para castigo e por castigo, de bico no chão. 

Volta Paula, que estás perdoada

7 de julho de 2013

2 Comments »

Não há nada de que mais sintamos falta no Domingo à noite do que do Câmara Clara da Paula Moura Pinheiro. O novo formato de magazine cultural com a Filomena Cautela não nos convence e amiúde irrita-nos. Falta aquele savoir faire com extraordinário bom gosto da equipa do Câmara Clara. Nem sempre os temas nos interessavam e nem sempre a Paula Moura Pinheiro estava no seu melhor mas houve programas brilhantes. Absolutamente brilhantes. E o grafismo das peças de reportagem valiam por tudo. Não há nada igual e duvido que volte a haver. 

Alguém conhece um Pai de Santo?

6 de julho de 2013

4 Comments »

Primeiro foi o esquentador que avariou.
Entretanto já foi substituído.

Depois deu a travadinha à televisão.
Entretanto, o Poltergeist que nela habitava parece ter emigrado.

Agora temos a máquina de lavar a roupa possuída por uma entidade vesga.
Mete água mas o tambor não roda...

Até tenho medo de pensar no que poderá ser a seguir... 

Pelo direito a existir

4 de julho de 2013

No Comments »

Silly day

No Comments »

Dia de folga com um calor infernal e eu fechada em casa à espera de um homem que era suposto ter vindo ver os canos da varanda. Ela manda-me mensagens a dizer que acabou de vender creme de vinho do Porto e, claro, respondo-lhe à altura... 

... pode-se fazer muita coisa com creme de vinho do Porto... 

... po-lo no pão, por exemplo... 

... e isso... 

Os winds of change do Nepal

No Comments »

Things to wait for

No Comments »

Nem nos meus wildest dreams...

No Comments »























... julguei possível tal palhaçada. E toda a minha adolescência foi passada sob o jugo dos governos de Cavaco... o que foi mau... mas... apesar de tudo, não tão absurdo... 

Abriu a época da caça

3 Comments »



Objectos e/ou outras coisas que deverão manter afastados de mim nos próximos 3 meses:

- Dicionários da Porto Editora, independentemente da cor e do tamanho;
- X-actos;
- Tesouras, incluindo as que não cortam;
- Lápis afiados e canetas de bico fino;
- Agrafadores, com ou sem agrafos;
- Estagiários peso-pluma que possam ser arremessados sem dificuldade;
- Estagiários nem por isso peso-pluma mas que, após esforço, possam voar pelos ares;
- Pais que se demitem das suas funções (que nem sequer passam na escola a pedir a lista dos livros) e que só falta exigirem que sejamos nós, livreiros, a educar os seus filhos.

É que não há pachorra para tanto “deixa estar que eles resolvem...” 
E isto ainda só agora começou...

Manual para psicopatas

30 de junho de 2013

No Comments »

O que responder a uma pessoa que nos pergunta se temos o “Como Fazer Amigos e Silenciar Pessoas?” 

Coisas que nos deviam dizer

28 de junho de 2013

4 Comments »

Conselhos úteis para a vida #1


- Não bebam granizado de vinho do Porto como se estivessem a comer gelado porque vão para casa a cantar o fado.

Show your pride

No Comments »

Estatísticas

3 Comments »

Estamos sentadas no sofá a ver televisão, completamente moles e a padecer de calor - das janelas abertas nem uma brisa - quando, do nada, bufando, diz ela:

- Não entendo como é que podem dizer que as pessoas fazem mais sexo no verão!

O inesperado da afirmação faz-me rir mas depois, quando se levanta, reparo outra vez em como o vestido de trazer por casa lhe assenta tão bem e em como deixa à mostra as pernas que tanto gosto de catrapiscar e penso cá para comigo:

- Fazem pela fresquinha, meu amor. Fazem pela fresquinha... 

Afinidades

26 de junho de 2013

No Comments »

Não tenho o livro da minha vida, o autor da minha vida, o filme ou realizador da minha vida. Tenho uma pequena lista de simpatias e afinidades. Não existiu obra ou artista que tivessem remexido e alterado as minhas entranhas mas existiram companheiros de viagem que deixaram em mim a marca indelével de uma sensação. Lembro-me da experiência de leitura de determinada obra pela sensação que me deixou mais do que pela epifania de um paragrafo.

“Germinal” de Zola, “O Amante” de Margueritte Duras, “O Estrangeiro” de Camus, “Ilhas na Corrente” de Hemmingway, “O Leitor” de Bernhard Schlink, “Desgraça” de J. M. Coetzee, “O Livro das Ilusões” de Paul Auster, “Viúva por um ano” de John Irving, “Cartas a Sandra” de Vergílio Ferreira são algumas das afinidades que deixaram depósito em mim. Que deixaram a memória de uma sensação e que, tal como a memória olfactiva, vão resgatando momentos da minha vida: os que são motivo de regozijo e aqueles que não preferindo esquecer trazem nas entrelinhas o saber acre da dor.  

Hoje, numa daquelas feiras de edições e/ou editoras mortas num centro comercial da baixa, comprei por cinco euros o livro “Teresa e Isabel” de Violette Leduc e ao ler os primeiros capítulos enquanto esperávamos pela hora do lanche como pretexto para escapar ao calor da rua, senti que, muito possivelmente, estaria perante outra feliz afinidade.

Escrito em 1948 e proposto para edição em 1954 “Teresa e Isabel” foi sucessivamente censurado pelas editoras em nome de uma moral castradora que achava escandalosa a liberdade com que a autora escrevia sobre o amor e a sexualidade entre mulheres. E considerando a época é efectivamente surpreendente a ousadia e, sobretudo, a coragem de escrever de forma tão despida sobre o amor e a forma como se expressa. Claro que aos censores escapou toda a doçura e poesia das palavras. Parágrafos inteiros de beleza que demoraram mais de dez anos a chegar a quem pode, por fim, compreende-la.

Ela agarrou no meu livro, na minha lanterna, deitou-me quase nas suas pernas. Depois levantou-me guardando-me nos seus braços. Ela tinha tido um lançar de movimentos ousados comparados ao lançar de um arco-iris intrépido. Os seus lábios abriram os meus sem os forçar, entraram, demoraram-se como aventureiros tímidos sobre os meus dentes que eu fechava. Durante esse instante de imobilidade, que nos era pessoal, a terra parou de girar, os homens cessaram de nascer, de viver, de morrer. O tempo, o espaço, os objectos, a consciência de nós mesmos tinham sido abolidos. Nós não existíamos a não ser nos nossos lábios unidos. Existíamos neles como sonâmbulas que não dormem. Os seus lábios moveram-se, escorregaram sobre os meus dentes, misturaram a minha saliva com a dela, voltaram a vir, voltaram a partir, retomaram no começo de novo beijo. Eles regressavam outra vez, puxavam ainda a sua carne, a sua saliva, a minha. Da sua lentidão, nascia o quadro vivo da lentidão e da doçura. Na minha boca, uma barcaça, e outra, e outra passavam. Os seus lábios e os meus dentes eram rio, barcaça, cavalos de sirgagem, que avançavam. À medida que as idas e vindas se renovavam, se prolongavam, eu descia, nó após nó, numa noite nova. Sob esse vaivém de beijos, sob lábios que se serviam do que lhes resistia eu era um sol que aquecia a noite.”



Parece-me bem

25 de junho de 2013

1 Comment »

Untitled Grafitti na Rua de Santa Catarina.

São João e luas gordas

24 de junho de 2013

4 Comments »

Supermoon

Não fomos ao São João. Não tivemos pernas para a folia. Mas vimos os balões – imensos – a voar pelo céu e a parte de cima do fogo de artificio. O vizinho veio oferecer sardinhas e caldo verde e com uma bejeca fresca ficou feita a festa. Para o ano vamos para o bailarico. Está prometido. 

A lua apanhámo-la escondida atrás do retransmissor do Monte da Virgem. 

Buracos e pó

20 de junho de 2013

No Comments »


A televisão tem-se aguentado, a nossa casa é que parece ter sido transportada para a Faixa de Gaza. 

Electrodomésticos assombrados

18 de junho de 2013

3 Comments »

Mal entrei de férias, no início do mês, avariou o esquentador. Mas daquelas avarias que não são de morte súbita mas de só funcionar quando lhe dava na real gana, ou seja, sempre que púnhamos o pé no duche para tomar banho.

Hoje acordámos ao som do martelo pneumático. Vão fazer um reshape à casa e deitar abaixo umas coisas para arranjarem outras. Ora bem, a televisão não gostou do barulho matinal e pouco demorou a demonstrar o seu desagrado ligando-se sózinha. E não há nada mais irritante do que uma televisão que se vai ligando e desligando quando muito bem lhe apetece.

Vamos ver como se porta nos próximos dias senão lá temos de regressar à assistência técnica... ou ir à bruxa...

Crafts 2

9 de junho de 2013

1 Comment »















À segunda tentativa continuou a faltar alguma coisa – esqueci-me de inverter as imagens – mas o resultado com impressão a laser é um bilião de vezes melhor. Agora apetece-me limar o trabalho de ontem e fazê-lo de novo.


E claro que vamos dar companhia à Pin-Up. Jamais haverá uma Pin-Up alone em nossa casa. 

Crafts

2 Comments »



Coisas que devia ter feito:
- limar a madeira;
- usar impressão a laser


Tirando isso, para primeira experiência, até que nem ficou mal. 

Arts and Crafts

8 de junho de 2013

No Comments »
























Há muito tempo que queria experimentar esta técnica de transferência de fotografia para madeira e hoje, que me lembrei de comprar o produto necessário, cá andei a decorar as caixas e caixinhas que a Isabel tem e onde guarda a sua – cada vez maior – coleção de Tarot’s.


Amanhã, porque as obras de arte têm de ficar uma noite inteira a secar, vamos ver que tal ficam. Se forem aprovadas já temos prendas para dar no Natal. 

I had a feeling that I could be someone

7 de junho de 2013

No Comments »


Não tem o kick de Tracy Chapman – vénias e saudades muchas – mas sabe bem ouvir. 

Get Lucky

6 de junho de 2013

4 Comments »



Diz ela que esta versão é melhor do que a original. Eu gosto das duas...  

Flores Raras

5 de junho de 2013

5 Comments »



Tem muito, muito, muito boa pinta. Não só pelo que interessa da história – a relação entre as duas – mas por tudo. E quando um filme soa a “tudo” então é porque deve valer a pena.

Esperemos que venha para os nossos cinemas senão o pirata em nós terá de penar.  

O lobby gay do espaço *

3 Comments »



para o Marinho Pinto se espumar de raiva. 

Tiananmen

4 de junho de 2013

No Comments »



Passaram 24 anos mas lembro-me como se tivesse sido ontem. Não podíamos acreditar no que estava a acontecer lá da mesma forma que, hoje, continuamos a não acreditar no que vai acontecendo por aí. Nada se aprende.

Da verdade absoluta

2 de junho de 2013

2 Comments »



Fiz 38 anos e quanto mais o tempo passa mais eu sinto que me falta aprender qualquer coisa de absolutamente essencial. 

Dá-lhe Bruno!

31 de maio de 2013

No Comments »

Prós e Contras

28 de maio de 2013

2 Comments »

Os meus piores receios não foram capazes de prever tamanha manifestação de ignorância. A única coisa que me deixa satisfeita é que, como sempre, o contra teve a capacidade de se autoimolar. 


O bicho na cabeça dos outros

25 de maio de 2013

7 Comments »












Às vezes somos nós quem coloca o bicho na cabeça dos outros. Somos nós quem parte do principio que A ou B vai ter dificuldade em aceitar e/ou compreender a nossa sexualidade e a forma como a expressamos. E faço esta observação porque foi o que me ocorreu, depois de uma conversa com o G. – meu colega de trabalho e também gay – em que ele dizia que a maior luta que ainda tinhamos a travar era a da visibilidade. Claro que concordo com ele. É um facto assente. Mas, por experiência própria, sei também que muitas vezes confiamos pouco na capacidade de entendimento do outro. Fazêmo-lo por um instinto básico de auto-protecção e é uma atitude normal mas, às vezes, somos surpreendidos, apanhados na teia do nosso próprio preconceito. Porque também os temos...

Há três anos mudámos para a casa onde estamos hoje. Soubemos dela através de uma amiga e como se encaixava dentro daquilo que andávamos à procura – ser perto do trabalho e de acordo com o nosso orçamento – viemos de armas e bagagens viver na parte de cima da casa de duas “vélhinhas” de 82 e 84 anos respectivamente. Dada a idade das senhoras achámos por bem que teríamos de ter cuidado com demonstrações públicas de afecto. Não as conhecíamos bem e não queríamos incorrer no risco de as ofender. A sua idade merecia certa reverência e estávamos dispostas a isso; a respeita-las da mesmo forma que gostaríamos que nos respeitassem. Com candura.

Poucos dias depois de termos mudado e ainda com a casa virada do avesso e cheia de caixas e tralha a “vélhinha senhoria” pediu-nos para descermos à casa dela para vermos se nos interessava um sofá que ela tinha e podia dispensar. Não nos interessava mas ficámos a conversar um pouco com ela. A meio da conversa diz-nos:

- Ai, eu tenho que vos perguntar um coisa.

Deixámo-la à vontade para perguntar, convictas de que seria algum assunto relacionado com a casa, o aluguer ou a partilha das contas de luz e água mas nunca aquilo que ela, frontalmente, sem papas na língua, nos perguntou.

- Vocês estão bem assim, são felizes sem um homem? – quis saber. Ficámos sem fala, de boca aberta. Olhámos uma para a outra, com uma vontade imensa de rir, encolhemos os ombros e respondemos:

- Sim, Dona Ana, somos muito felizes sem homem.

- Então está bem – conclui ela – Se são felizes é o que importa. É o que se quer.

A nossa amiga deve ter-se descaído com algum comentário quando lhe disse que tinha duas pessoas interessadas na casa. Sempre nos esquecemos de lhe perguntar. Ou então a nossa senhoria, inteligente como é, uma vez que só tínhamos um cama, o que significava que dormíamos juntas; chegou às conclusões óbvias ou, pelo menos, à suspeita. E curiosa como também é, fez uma pergunta honesta que mereceu uma resposta honesta. E nós, que achávamos que por elas serem octagenárias tinham uma mentalidade retrógrada, levámos uma bela bofetada de luva branca. Não existia nenhum bicho na cabeça delas, apenas na nossa.

Agora, de uma forma bastante peculiar, somos  uma big happy familly. Elas são as “nossas meninas” e nós somos as delas. E isto ensinou-nos a ter um pouco de fé no outro e na sua capacidade de entendimento. Mesmo que, às vezes, leve o seu tempo a manifestar-se.

Grosso modo as surpresas - as boas - acontecem onde e quando não as esperamos.  

O Cavaco é que a sabe

18 de maio de 2013

2 Comments »


Talvez Cavaco tenha razão e a marota da virgem Maria ande por aí a fazer das suas. É que o que aconteceu ontem não era suposto ter acontecido e se a aprovação da lei não ocorreu por pura distracção então foi a tal intervenção divina de que falava o Aníbal. Some things really are meant to happen.

Convencidos de que a votação iria ser maioritariamente contra, à semelhança de outras votações sobre os mesmos assuntos, ninguém nos partidos se preocupou em saber qual era a tendência de voto dos seus deputados. Sobretudo nos partidos de direita.

O PS, ao contrário do que toda a gente esperava, votou quase todo a favor. A CDU idem aspas e o CDS não previu as suas abstenções. Os deputados do PSD que decidiram votar a favor calaram-se bem caladinhos porque não quiseram influenciar ninguém e, acto contínuo, ninguém os influenciou. 28 deputados faltaram.

Entre arrogância e distração e todo um conjunto de imponderabilidades passa uma lei que abre um conflito de direitos dentro da própria comunidade gay: uns podem co-adoptar, os outros não podem adoptar de todo. E este conflito interessa-nos... porque significa que  a lei começa a contradizer-se.

É uma vitória esta vitória mas ainda mais saborosa por ter acontecido bem debaixo dos seus arrogantes narizes. A consciência humana quando expressa em saudável liberdade opera maravilhas.

O espanto dos arrogantes quando foi revelada a votação? Priceless.

Ó diabos!

17 de maio de 2013

4 Comments »


Está dificil arranjar isto...


P.S – One must wait until July... LOL Nurture the Pirate in you… 

You rock my world. . .

No Comments »


... e eu amo-te daqui até ao infinito.

A small step for man. . .

1 Comment »


É bom quando assinalamos as coisas boas que acontecem no nosso País, como hoje, com a aprovação da lei que permite a co-adopção entre casais do mesmo sexo. Repõe-se a justiça onde ela não existia e salvaguarda-se aquilo que era preciso proteger e que compete à sociedade proteger: o interesse maior e único da criança. E por isso, por este pequeno passo, fico imensamente contente. E imensamente orgulhosa por a democracia ter encontrado forte expressão no parlamento.

Mas ainda falta muito para que, efectivamente, sejamos todos iguais aos olhos da lei. Foi um pequeno passo, o primeiro que mais tarde servirá de alavanca para a aprovação da adopção para todos mas a sensação que me fica é de sabor a pouco. Ainda assim, hurray!, o mundo está a mudar à frente dos nossos olhos no que às questões LGBT diz respeito e poder assistir a isto e, de certa forma, ser parte disto, é um privilegio.

A luta continua.

TPM

13 de maio de 2013

2 Comments »


Os sintomas têm vindo a piorar com a passagem do tempo. Quanto mais velha fico mais sintomas arrecado. As dores - que quando era substancialmente mais nova não me atacavam - há muito que vieram para ficar e as alterações de humor... as alterações de humor... o que dizer das alterações de humor?

Grosso modo fico mais sensível, mais irritadiça, mais dark, mais resmungona e muito menos tolerante. Muito muito menos. O truque para sobreviver a estes dias e para que os outros também sobrevivam é remeter-me ao silêncio, manter um low-profile, fazer de conta que não estou no mundo, que fui ali ao lado e já volto.

Costuma resultar. Mas aliemos o TPM à tua ausência e encontramos a fórmula perfeita para the ultimate raging bitch. De tal modo bitch que me sinto na obrigação de avisar os meus colegas de trabalho de que tempestades se aproximam no horizonte.

Por este andar, quando estiver na menopausa, vão ter de me internar numa prisão de alta segurança. 

Nada. . .

5 de maio de 2013

No Comments »