Do morder a língua...

28 de agosto de 2013

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Elevando o meu microcosmos laboral à dimensão do nosso País é fácil perceber porque é que as coisas estão no estado em que estão e onde reside a essência do problema.

Exige-se paciência sobre-humana para estes lados. Paciência para aturar os pais que foram de férias e só agora se lembram que têm filhos e paciência para aturar chefes que não fazem a mais pálida ideia do que estão a fazer.


Paciência porque ainda falta um mês para as férias. 


P.S - Entretanto fomos ver o "A Gaiola Dourada" e recomendamos vivamente. É brilhante!

Cleaning day

14 de agosto de 2013

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Não há nada mais libertador do que deitar coisas fora. 

Chill out

10 de agosto de 2013

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Se os mosquitos deixarem...

Strong

8 de agosto de 2013

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A pesquisar a janta

6 de agosto de 2013

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Café e duas colheres de preguiça

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Respirar

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Aquarela - Toquinho

É na falta que me fazes que relativizo a comédia da vida.

Os da casa II

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As pessoas que trabalham comigo têm-me em conta de paciente, ponderada e de trato fácil. Dizem-me que mais depressa acaba o mundo do que eu “perco a cabeça e parto a loiça toda”. Por isso, ontem, ao ter passado – literalmente - o dia todo a resmungar porque, basicamente, tive de desfazer uma porcaria de trabalho feito por ordem de alguém que ganha o suficiente para ter mais juízo, desafiei as leis do universo e chateei a moleirinha a toda a gente. Tanto que até eu me cansei de me ouvir... e logo eu, que nem por isso sou de muitas falas.

Trabalhar com muitas mulheres é complicado por todas as razões óbvias, instituídas, assumidas, erradamente presumidas e todas aquelas que ainda não foram apontadas; mas trabalhar com muitos homens também não é fácil. Em certos aspectos é pior. Sobretudo quando cada um deles acha que mija mais longe do que o outro e que é mais inteligente do que o outro e mais assertivo do que o outro e com mais autoridade do que todos. Era manda-los medir e comparar as pilinhas para ver se deixavam as pessoas trabalhar sossegadas.


Se há coisas que me irritam uma delas é a das pessoas acharem que por serem hierarquicamente superiores são automaticamente mais inteligentes. Não são. Não são! E não são porque insistem no erro de não escutarem as equipas – que são quem, grosso modo, está por dentro da dinâmica do trabalho – e imporem as suas vontades. Que mais tarde ou mais cedo se revelam erradas e implicam perda de tempo e energia para toda a gente. 

Os da casa

1 de agosto de 2013

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A canção dos Ala dos Namorados fala dos “Loucos de Lisboa” mas lá na minha Livraria existem os Loucos Residentes. Um deles, rapaz ainda novo e que, de certa forma, ali vimos crescer, costumava sentar-se no chão da secção infantil, encostado à estante de banda desenhada, a ler os livros e a reproduzir alto os sons neles ilustrados. Não foram poucas as vezes em que, estando a atender alguém, o meu discurso foi interrompido por um VRUUUUUUUMMMMMM sonoro ou uma gargalhada maléfica.
Agora, porque temos sofás e banquinhos espalhados por todo o lado, já não se senta no chão. Leva os livros – agora de anedotas – para a zona nobre da Livraria e fica por lá sentado. Já não reproduz os sons mas volta e meia – quando alguma criança se lembra de começar a chorar e/ou aos berros – solta um “POUCO BARULHO QUE HÁ AQUI PESSOAS QUE ESTÃO A TENTAR LER!!!!” que nos deixa a todos em sentido.  

O outro louco residente, o meu preferido, é o Srº Nascimento. É um senhor bem posto, dos seus 60 e poucos, alto, magro e de voz profunda. Muito culto. Nem sempre em perfeito equilibrio mental mas inofensivo.
No inicio, quando ainda não sabiamos lidar com ele, ficávamos horas pavorosas a ouvi-lo falar. À custa disso ficou a saber o signo de todas os funcionários da Livraria e passados estes anos todos ainda se lembra. Também nós nos lembramos – dolorosamente bem – das suas faustas preleções sobre astrologia.
Hoje passou por lá e como sempre, mesmo que tenhamos a Livraria virada do avesso, completamente desarrumada e com tudo fora de sitio, continuamos a ser os melhores do mundo. A melhor Livraria à face da terra. E como sempre, assim que me viu, o cumprimento foi o mesmo.

- Srª Gémeos, como está? Fantástica como sempre. A eterna jovem.

Como já levava a minha dose de mau-humor – dessas que uma pessoa junta por dentro e cala para não correr risco de mandar toda a gente àquele belo sitio (ahhhh pais de criancinhas em idade escolar...) – vê-lo, ouvi-lo e não ter outro remédio senão sorrir, foi o antídoto perfeito para fazer dispersar as nuvens negras que se formavam sobre a minha cabeça. 

- A Srª Gémeos estava bem, obrigada.


Mary Lambert

30 de julho de 2013

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Mary Lambert - I Know Girls Mary Lambert - Forget Me

Isto emocionou-me

29 de julho de 2013

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Quase que gritava Habemus Papa! Mas faltou o quase. . .

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Pope Francis: Who am I to judge gay people?

Mas... não é mau, não é mau. É menos mau. Como declaração de princípios não é mau. Há que começar por algum lado. 

1000 Papas de mão dada no fundo do mar são um bom princípio... 

Horas mais tarde tropeço nisto e grito, sim, Habemus Bispo!

Pet Shop Boys – It’s a Sin

Do refrão se faz canção inteira

27 de julho de 2013

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Mary Lambert – She keeps me warm

Hum... a letra, coitadita, podia ser melhor...

Sampha

26 de julho de 2013

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Estás aqui. . .

24 de julho de 2013

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Cansadinhas do Passos Coelho e Companhia mudamos do telejornal da Sic para o Campeonato Europeu de Futebol Feminino na EuroSport. Claro que não sem ela ameaçar “estás aqui estás a apanhar!”. Entretida com o jogaço que as Suecas estavam a fazer contra a Alemanha dou por ela a dizer, sempre que apareciam as catraias em plano mais próximo: “é gira”, “também é gira”, “muito gira”, “hum hum”...

... bem bem, alguém estava aqui, estava a apanhar e, definitivamente, não era eu...


... mas taditas das Suecas. Mereciam ganhar... 

Mas ao mesmo tempo que me exaspera. . .

21 de julho de 2013

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Teimosa que nem um arrocho! *

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Hospital? Não, que tem medo de injecções. 
A dor? Continua. Hoje um bocadinho melhor mas continua. 
Mulher teimosa, caneco!




* Expressão típica de Castelo Branco que significa teimosa que nem uma mula. Ela usa muitas expressões da térrinha. No início, muito no início, eu pensava: “não percebo o que queres dizer com isso mas és gira como o raio...” 
Hoje já as entendo e até já as uso.

E continuo a achar que ela é gira como o raio. 

Das folgas

20 de julho de 2013

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Quando não se avariam os electrodomésticos avariamo-nos nós. Se a teimosa da minha mulher não estiver melhor do ombro – que lhe tem doído toda a semana e hoje de forma bastante aguda – amanhã visitamos o Hospital. À conta dos pills que tomou para a dor, estava a contar chegar a casa e encontra-la a levitar sobre uma densa nuvem de fumo de incensos mas... estava a dormir. Ferrada. 

O Livreiro como potencial homicida. . .

18 de julho de 2013

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Fazer uma reserva de livros escolares obedece a regras muitos simples. O encarregado de educação traz a lista dos livros que precisa, preenche uma ficha onde indica qual é o nome do aluno, qual é a escola que vai frequentar, qual o ano e quais os contactos.

Num mundo ideal, num mundo perfeito e minimamente civilizado, todo o ser humano com crias em idade escolar saberia as regras e procuraria cumpri-las. Não são complicadas e são muito do senso comum. Há coisas demasiado óbvias para serem contestadas.

Mas não. Não. Claro que não. Claro que, perante tudo aquilo que é óbvio há quem ache que, só porque sim, tem todo o direito de reclamar ou fazer birra.

Dentro da minha cabeça dou respostas lindas às birras dos meus clientes... e não são tão... hum... floreadas como os exemplos em baixo...

Tenho de preencher isto? Não basta deixar a lista?
[Basta. Temos um sistema de identificação de impressões digitais e isso é o suficiente para depois a avisarmos de que a sua encomenda está pronta. Ah, e somos mestres em telepatia. Também não precisa deixar o contacto.]

Mas tenho de preencher? O ano passado não era nada assim.
[Pois, não devia ser. O ano passado foi quando partiu as mãozinhas, não foi? Não podia escrever, pois coitadinha...]

Ai tenho de trazer lista? Pensei que era só dar o nome da escola e o ano...
[Sim, e também vamos buscar as notas do seu filho e assinamos termos de responsabilidade para visitas de estudo e zelamos pelo bem estar da amante do seu marido. E até faríamos o jeito – porque somos uns gaj@s porreir@s - de verificar se as listas estão publicadas no site da escola se não soubéssemos já que a escola em questão ainda não actualizou as mesmas.
E se perante essa justificação ainda me olha com cara de tacho e quase a dizer que a culpa de todos os males do universo é minha tem sorte de não lhe sugerir que, já que a escola fica ali a dois passos, o melhor é pegar no rabo e ir cumprir o seu dever de educador]

Vocês têm as listas, não têm?
[Neste momento só mesmo a das compras que tenho de fazer no supermercado mas arranjo-lhe a dos prémios Nobel]

O que é isto do Estabelecimento de Ensino?
[Duh?!?!? Tanto que me apetece exclamar isto, bem alto, quando são as marmanjas das crias com Iphone e Ipod e Icarago com app para tudo e mais alguma coisa – menos para as coisas banais da vida - a perguntar-me isso. Andam aqueles pobres pais a gastar dinheiro em livros para quê?]



Isto já não vai lá com dicionários da Porto Editora. Vou ver se ainda se arranja o Dicionário da Academia das Ciências de Lisboa. 

Não há condições!

17 de julho de 2013

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Como é que uma mulher pode trabalhar sossegada se levanta os olhos e vê, na mega televisão que lhe fica no campo de visão, as Suecas a correr atrás das Italianas, as Italianas a correr atrás das Suecas, todas a correr atrás de uma bola...


... este é um post da categoria do “estás aqui estás a apanhar...” 

Apparat

16 de julho de 2013

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Ouvir Apparat será sempre uma experiência embrulhada em emoções contraditórias. Está impregnado de ti que mo deste a conhecer e impregnado de perda porque foi a banda sonora dos dias que precederam a partida da minha mãe. Talvez por isso signifique para mim a vida e os seus extremos e aquilo que de entremeio se lhe queda e que sou eu.


Parece que esta altura o pede sempre para ouvir. Só um pouquinho de cada vez. Todos os anos se inicia em mim esta espécie de contagem decrescente e já não tento contraria-la. Faz parte. É como se, tendo presente os dias e os momentos, pudesse tocar-me o ombro, o meu ombro de então, e me pudesse dizer baixinho ao ouvido: “Tem calma. Vais conseguir sobreviver a isto”. 

Nicolas Jaar

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& It Was U

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Farta de electrodomésticos com mau génio

13 de julho de 2013

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O update semanal indica que a máquina de lavar roupa já voltou a funcionar às mil maravilhas. Os homens das obras é que, de tanto a tirarem e porem no sítio, acabaram por ligar mal os tubos.

Hoje, por coincidência também de folga – as minhas folgas parecem estar condenadas – acordei, tardííííííssimo, para uma arca congeladora tão cheia de gelo que não fechava. Tudo bem que a culpa foi nossa que a deixámos mal fechada mas tenham dó. Não há nada mais estúpido na vida do que estar de joelhos, com o secador de cabelo em riste, investindo contra blocos de gelo na tentativa desesperada daquilo derreter mais depressa...


Na próxima folga vou para um Hotel... 

... e agora vou ter com ela. 

Hoje jantamos fora, não vá o fogão lembrar-se... 

Sadistic bastard

12 de julho de 2013

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Hilariante! Até tenho medo de continuar a ver a season 3... 

Paul Theroux

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Disse-me um Adivinho” foi dos livros mais divertidos e instrutivos que li nos últimos anos. Agora faço a viagem ao contrário usando outros olhos para me guiarem. Tenho a impressão de que a aventura vai ser, também, para não mais esquecer. 

It feels like something

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Saber-te é, às vezes, perto da perfeição.

A Gaiola Dourada

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Será para ter medo? Muito medo? Mas tem a Rita Blanco... por isso, se calhar... buenas noches! 

Amigos com piada. . .

11 de julho de 2013

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...que nos trazem lembranças giras de Londres. 

I Follow You Deep Sea Baby

10 de julho de 2013

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Da condição feminina

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Também a ler “Teresa e Isabel” de Violette Leduc – a tal novela tanto tempo censurada e tão tardiamente publicada – ocorreu-me ir ver em que ano foi publicado “Sexus” de Henry Miller. E qual o meu espanto – ou não – quando a wikipedia me revela que foi publicado em Paris – espantemo-nos com a cidade – em 1949. E espantemo-nos com a cidade porque, cinco anos mais tarde, no mesmo local das luzes e da modernidade, Violette Leduc vê recusada a publicação da sua novela. O porquê já sabemos. É um porquê que continua com amarras bem presas nos dias de hoje.

Leduc era mulher. Primeiro ponto. Bastaria apenas este.
Segundo ponto, Leduc era mulher e era lésbica.
Terceiro ponto, Leduc era mulher, lésbica e falava sem pudor e em pormenor da sexualidade e sensualidade femininas.
Quarto ponto, Leduc exultava o prazer feminino. Como podia tal?
Quinto ponto – que deve ter feito muita confusão na cabeça daqueles homens – Leduc exultava o prazer da mulher às mãos de outra mulher.
Sexto ponto, Leduc falava da sua própria experiência. A definitiva ousadia.

De Henry Miller diz-se que não há escritor mais honesto. Talvez. Não sei. Tinha vinte anos e consegui ler metade de “Sexus” – nunca mais lhe peguei. Talvez fosse o escritor mais honesto mas mesmo que não fosse era meritório desse elogio pelo simples facto de ser homem e falar despudoradamente do seu pénis murcho incapaz de perform – entre homens não há honestidade mais crua. E não está mal, não é o seu talento que está em causa mas a forma como se fazia – e ainda se faz – a escolha do que é bom e do que não vale a pena. Num mundo fálico, o editorial também, é óbvio sobre quem recai a escolha e o escárnio com que se deita ao lixo o que, para eles, não presta. Para com a mulher continuam a ter certa condescendência. 

Sou levada a pensar que a novela de Leduc não foi tanto censurada pelo seu conteúdo e pelas suas descrições mas por receio de que a sua revelação levasse à libertação da consciência da mulher e à reclamação dos seus direitos como ser sexual. É uma bela teoria da conspiração, não?


Não sou feminista ferrenha mas tendo a ser cada vez mais feminista. Sou-o por observação – salvo raras excepções - do comportamento masculino no meu local de trabalho e pelo comportamento masculino de uma forma geral. Sou-o também pela observação de um determinado comportamento feminino mas isso são outros quinhentos. A verdade é que isso da igualdade, volta e meia, faz-me rir. 

Do Policial Nórdido

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Stieg Larsson colocou a fasquia muito alta. E é chato quando queremos encontrar substitutos e não há quem lhe chegue aos calcanhares.

Já li Camila Lackberg e Lars Kepler mas não me convenceram. Agora estou a terminar Karin Fossum, a dita senhora do crime Norueguês. Ainda não decidi se gosto ou não. É um romance estranho, o que me leva a concluir que os noruegueses são estranhos, mas é, ainda assim, um romance que está noutra dimensão; muito superior a Lackberg e a Kepler.


É um policial de ambientes - desolados – que nos faz entranhar debaixo da pele das personagens e nos leva, contra a nossa vontade, a criar empatia com elas; como se nos reconhecesemos um pouco iguais no dano que a vida nos provocou e na constatação do facto de que a resiliência não opera em todo o espectro da alma. 

Da preguiça

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Tenho a impressão de que ela, antes de sair para o trabalho, me pediu para comprar Raid porque estávamos com uma invasão de formigas... mas agora que me levantei não encontro formigas em lado nenhum, o que significa que sonhei isso tudo. Tenho de lhe perguntar... sob risco de ser gozada durante os próximos seis meses...

Apetecia-me sair e fazer qualquer coisa de útil mas sempre que me levanto do sofá ele começa a chorar convulsivamente.  Não o posso abandonar à sua triste agonia.  

Ler, ver um filme, trabalhar no Photoshop... pim pam pum... talvez dormir uma soneca.

E alvíssaras, hoje está quase frio!


Adenda: há formigas, há. Estavam todas escondidas dentro do açucareiro...
Adenda 2: se havia formigas no açucareiro... e se da primeira vez que tomei café não reparei - porque estava podre de sono - então... é mais do que provável que tenha bebido formigas... 
Adenda 3 - se bebi... souberam-me a pato... 

Coisas que me irritam profundamente:

9 de julho de 2013

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- a caneta com que escrevo melhor e com a qual mais gosto de escrever e que defendo - à força de rosnar - das mãos alheias aka  “senhores meus colegas”;  cair, para castigo e por castigo, de bico no chão. 

Volta Paula, que estás perdoada

7 de julho de 2013

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Não há nada de que mais sintamos falta no Domingo à noite do que do Câmara Clara da Paula Moura Pinheiro. O novo formato de magazine cultural com a Filomena Cautela não nos convence e amiúde irrita-nos. Falta aquele savoir faire com extraordinário bom gosto da equipa do Câmara Clara. Nem sempre os temas nos interessavam e nem sempre a Paula Moura Pinheiro estava no seu melhor mas houve programas brilhantes. Absolutamente brilhantes. E o grafismo das peças de reportagem valiam por tudo. Não há nada igual e duvido que volte a haver. 

Alguém conhece um Pai de Santo?

6 de julho de 2013

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Primeiro foi o esquentador que avariou.
Entretanto já foi substituído.

Depois deu a travadinha à televisão.
Entretanto, o Poltergeist que nela habitava parece ter emigrado.

Agora temos a máquina de lavar a roupa possuída por uma entidade vesga.
Mete água mas o tambor não roda...

Até tenho medo de pensar no que poderá ser a seguir... 

Pelo direito a existir

4 de julho de 2013

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Silly day

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Dia de folga com um calor infernal e eu fechada em casa à espera de um homem que era suposto ter vindo ver os canos da varanda. Ela manda-me mensagens a dizer que acabou de vender creme de vinho do Porto e, claro, respondo-lhe à altura... 

... pode-se fazer muita coisa com creme de vinho do Porto... 

... po-lo no pão, por exemplo... 

... e isso... 

Os winds of change do Nepal

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Things to wait for

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Nem nos meus wildest dreams...

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... julguei possível tal palhaçada. E toda a minha adolescência foi passada sob o jugo dos governos de Cavaco... o que foi mau... mas... apesar de tudo, não tão absurdo... 

Abriu a época da caça

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Objectos e/ou outras coisas que deverão manter afastados de mim nos próximos 3 meses:

- Dicionários da Porto Editora, independentemente da cor e do tamanho;
- X-actos;
- Tesouras, incluindo as que não cortam;
- Lápis afiados e canetas de bico fino;
- Agrafadores, com ou sem agrafos;
- Estagiários peso-pluma que possam ser arremessados sem dificuldade;
- Estagiários nem por isso peso-pluma mas que, após esforço, possam voar pelos ares;
- Pais que se demitem das suas funções (que nem sequer passam na escola a pedir a lista dos livros) e que só falta exigirem que sejamos nós, livreiros, a educar os seus filhos.

É que não há pachorra para tanto “deixa estar que eles resolvem...” 
E isto ainda só agora começou...

Manual para psicopatas

30 de junho de 2013

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O que responder a uma pessoa que nos pergunta se temos o “Como Fazer Amigos e Silenciar Pessoas?” 

Coisas que nos deviam dizer

28 de junho de 2013

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Conselhos úteis para a vida #1


- Não bebam granizado de vinho do Porto como se estivessem a comer gelado porque vão para casa a cantar o fado.

Show your pride

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Estatísticas

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Estamos sentadas no sofá a ver televisão, completamente moles e a padecer de calor - das janelas abertas nem uma brisa - quando, do nada, bufando, diz ela:

- Não entendo como é que podem dizer que as pessoas fazem mais sexo no verão!

O inesperado da afirmação faz-me rir mas depois, quando se levanta, reparo outra vez em como o vestido de trazer por casa lhe assenta tão bem e em como deixa à mostra as pernas que tanto gosto de catrapiscar e penso cá para comigo:

- Fazem pela fresquinha, meu amor. Fazem pela fresquinha... 

Afinidades

26 de junho de 2013

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Não tenho o livro da minha vida, o autor da minha vida, o filme ou realizador da minha vida. Tenho uma pequena lista de simpatias e afinidades. Não existiu obra ou artista que tivessem remexido e alterado as minhas entranhas mas existiram companheiros de viagem que deixaram em mim a marca indelével de uma sensação. Lembro-me da experiência de leitura de determinada obra pela sensação que me deixou mais do que pela epifania de um paragrafo.

“Germinal” de Zola, “O Amante” de Margueritte Duras, “O Estrangeiro” de Camus, “Ilhas na Corrente” de Hemmingway, “O Leitor” de Bernhard Schlink, “Desgraça” de J. M. Coetzee, “O Livro das Ilusões” de Paul Auster, “Viúva por um ano” de John Irving, “Cartas a Sandra” de Vergílio Ferreira são algumas das afinidades que deixaram depósito em mim. Que deixaram a memória de uma sensação e que, tal como a memória olfactiva, vão resgatando momentos da minha vida: os que são motivo de regozijo e aqueles que não preferindo esquecer trazem nas entrelinhas o saber acre da dor.  

Hoje, numa daquelas feiras de edições e/ou editoras mortas num centro comercial da baixa, comprei por cinco euros o livro “Teresa e Isabel” de Violette Leduc e ao ler os primeiros capítulos enquanto esperávamos pela hora do lanche como pretexto para escapar ao calor da rua, senti que, muito possivelmente, estaria perante outra feliz afinidade.

Escrito em 1948 e proposto para edição em 1954 “Teresa e Isabel” foi sucessivamente censurado pelas editoras em nome de uma moral castradora que achava escandalosa a liberdade com que a autora escrevia sobre o amor e a sexualidade entre mulheres. E considerando a época é efectivamente surpreendente a ousadia e, sobretudo, a coragem de escrever de forma tão despida sobre o amor e a forma como se expressa. Claro que aos censores escapou toda a doçura e poesia das palavras. Parágrafos inteiros de beleza que demoraram mais de dez anos a chegar a quem pode, por fim, compreende-la.

Ela agarrou no meu livro, na minha lanterna, deitou-me quase nas suas pernas. Depois levantou-me guardando-me nos seus braços. Ela tinha tido um lançar de movimentos ousados comparados ao lançar de um arco-iris intrépido. Os seus lábios abriram os meus sem os forçar, entraram, demoraram-se como aventureiros tímidos sobre os meus dentes que eu fechava. Durante esse instante de imobilidade, que nos era pessoal, a terra parou de girar, os homens cessaram de nascer, de viver, de morrer. O tempo, o espaço, os objectos, a consciência de nós mesmos tinham sido abolidos. Nós não existíamos a não ser nos nossos lábios unidos. Existíamos neles como sonâmbulas que não dormem. Os seus lábios moveram-se, escorregaram sobre os meus dentes, misturaram a minha saliva com a dela, voltaram a vir, voltaram a partir, retomaram no começo de novo beijo. Eles regressavam outra vez, puxavam ainda a sua carne, a sua saliva, a minha. Da sua lentidão, nascia o quadro vivo da lentidão e da doçura. Na minha boca, uma barcaça, e outra, e outra passavam. Os seus lábios e os meus dentes eram rio, barcaça, cavalos de sirgagem, que avançavam. À medida que as idas e vindas se renovavam, se prolongavam, eu descia, nó após nó, numa noite nova. Sob esse vaivém de beijos, sob lábios que se serviam do que lhes resistia eu era um sol que aquecia a noite.”



Parece-me bem

25 de junho de 2013

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Untitled Grafitti na Rua de Santa Catarina.

São João e luas gordas

24 de junho de 2013

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Supermoon

Não fomos ao São João. Não tivemos pernas para a folia. Mas vimos os balões – imensos – a voar pelo céu e a parte de cima do fogo de artificio. O vizinho veio oferecer sardinhas e caldo verde e com uma bejeca fresca ficou feita a festa. Para o ano vamos para o bailarico. Está prometido. 

A lua apanhámo-la escondida atrás do retransmissor do Monte da Virgem.