Do baú
7 de novembro de 2013
A experimentar filtros novos em fotografias
antigas. Ao olhar para elas lembro-me do riso daquela tarde. Sempre o riso. O
meu riso atrás da câmara, o riso das modelos a quem se pedia que fizessem cara
séria e o riso da minha prima. Uma risota imensa que ecoa doce. Lá longe.
As imagens têm data mas o trabalho da primita, esse, é intemporal.
Sobre honra
4 de novembro de 2013
O Putin já veio dizer que
são todos bem vindos mas palavras leva-as o vento. E com uma das Pussy Riot
desaparecida – perdida pelo caminho enquanto mudava de prisão – as palavras
contam ainda menos.
Super-Homem
O melhor Super-Homem depois de Christopher Reeve e o melhor
filme de sempre sobre o Super-Homem. A sério!
Red Hot Chilly Tofu
Andamos a ver se alteramos alguns maus
hábitos alimentares e, sobretudo, se introduzimos novos alimentos na nossa
dieta - como tofu, arroz integral e quinoa – que possam servir como substitutos
ocasionais da carne e do arroz e massas normais. Não estamos a pensar fazer uma
mudança radical de alimentação mas o corpo pede-nos alguma moderação e melhores
escolhas. Em suma, mais coisas verdinhas e menos coisas deliciosamente doces.
Claro que eu entro num supermercado de
produtos naturais e “biológicos” e olho para tudo com desconfiança; confesso
que não partilho a 100% do entusiasmo da Isabel. Vagueio pelos corredores com a
nítida sensação de que a maior parte daquela comida se vai transformar, a
qualquer momento, em alguma coisa viva e perigosa… … … demasiados filmes, diz
ela…
A minha primeira incursão na confecção de
comida alien nem por isso ficou mal. Não, não se pode dizer que tenha ficado
mal. Ficou picante. Muito. Mesmo. A receita requeria pimenta cayene e eu obedeci.
Mais do que devia.
She kissed a girl e agora não quer outra coisa
20 de outubro de 2013
Como a
entendo, como a entendo.
Back to work
16 de outubro de 2013
Começo a trabalhar amanhã e para descansar desse esforço
sobre-humano tenho logo a seguir dois dias de folga. Nada mau, huh?
Cloudburst: link para download
15 de outubro de 2013
Vamos ver hoje. Tem legendas em Russo mas num tamanho que não
incomoda. Se alguém conseguir uma versão sem legendas que avise, please. Para já,
e à falta de melhor, podem fazer o download aqui.
Da monumental preguiça
14 de outubro de 2013
Um pé a pedir licença ao outro para ir ao supermercado. O
rabo alapado no sofá também não está para aí virado. O jantar hoje vai ser
minimal.
Scully!
1 de outubro de 2013
A tempestade do fim-de-semana – com os raios e coriscos
todos – deixou-nos outra vez a televisão com um poltergeist. Agora não se liga
nem desliga sozinha mas estamos sem som. A pesquisa na internet revelou que é
um problema comum nesta marca. Parece que as coisas agora são feitas para durar
pouco tempo.
À falta de som começámos a ver “Orange Is The New Black” e
escusado será dizer que ficámos viciadas. Em tudo e em todas. É mesmo hilariante e imprevisível.
A seguir talvez dê uma olhadela a esta “The Fall”. O
Policial não faz muito o género da Isabel mas não há como resistir à Gillian
Anderson.
Afinal havia outra
30 de setembro de 2013
Humilhação e Glória
Acabei de ler “Humilhação e Glória” de Helena Vasconcelos e
recomendo-o. Devia ser, inclusive, leitura obrigatória para todas as mulheres.
Para que saibam de onde vêm e para onde vão.
Tem um único senão: deve ser lido em casa a horas que proíbam
saídas impulsivas à procura de vingança. Não se recomenda a leitura em público sob
risco de sair disparado das vossas mãos em direcção à testa de algum homem
inocente.
This is Major Tom
Começo as férias com um murro no estômago. As coisas que
acontecem só aos outros acontecem também perto de casa, aos nossos. Temos de
estar atentos, temos de estar ligados. Numa época em que a comunicação é o mote
e a inspiração temos de rebentar a bolha para onde esse conceito nos remete e
isola e conectar-nos realmente. A vida não pode ser apenas contada e ter valor
pelos posts do facebook – há tanto que fica por dizer nas entrelinhas dos
smiles – há que estar cara a cara, há que escutar a voz sem a interferência de
um satélite, há que perceber no semblante e no olhar o que fica por dizer
depois de todas as palavras proferidas. Há que estar presente. Há que reservar
uma parte do dia – por diminuta que seja – ao cuidado de saber como estão os
outros; sair de nós, perceber o que nos rodeia, fazer parte do mundo, fazer
parte dos outros, fazer ligação à terra.
A vida por si só é uma grande surpresa e quando as más
acontecem às vezes é tarde demais. Temos de prevenir o tarde demais. Temos de
estar atentos. Temos de cuidar uns dos outros.
Transição
27 de setembro de 2013
I
Shall Believe - Sheryl Crow
O
bom do Outono, dos dias curtos e frios – transposta esta sensação de tristeza
que sempre me acossa na mudança de estação – é que vamos poder estar mais
agarradinhas no sofá e na cama.
Traces of you
13 de setembro de 2013
Todos os anos acho que vai ser diferente mas
no dia exacto em que te começas a descontar de mim sinto-me sempre como se
estivesse naquele corredor escuro onde apenas se escutavam os meus
passos e ao fundo do qual já te preparavas para partir.
É certo que a dor se atenua mas o espanto... o
espanto acho que aumenta. Estavas, já não estás e eu ainda me sobressalto. Acho
que vai ser sempre assim.
Mais quatro dias e começa um novo ciclo.
Programa despertar
11 de setembro de 2013
No mês em que mais precisava de dormir
sossegadinha, para me aguentar em pé, tenho homens a martelar no telhado e homens
a martelar na varanda. Se isso não bastasse, os homens do telhado têm um rádio sintonizado
na Rádio Renascença que vomita música e pérolas de sabedoria desde as 8:30 da
manhã. Não me falta, por isso, incentivo moral para enfrentar os agrestes progenitores.
Blue birds
10 de setembro de 2013
Hoje entrou um pássaro no back-office e por
momentos nada mais importou no mundo do que liberta-lo. Foi bom para nos lembrarmos de que existe vida e sanidade depois desta campanha demoníaca.
O meu caminho é por onde vais
8 de setembro de 2013
Tenho a impressão de que, naquele verão de há
seis anos, aconteceu tudo. Tudo o que pude controlar e tudo o que me fugiu do
controlo.
Foste-me acrescentada quando a vida arrancava
parte de mim e, às vezes, parece-me que o acaso de nos termos encontrado foi
engendrado para que em mim – ou em nós - não desabasse tudo.
Há dias em que parece que carregamos sobre os
ombros o peso de mil anos mas não há cansaço que sobreviva ao teu abraço. Ainda
me espanto, às vezes, pelo teu olhar que se cruza com o meu e pelo sorriso que
me aflora ao canto da boca. Pertences-me e eu pertenço-te e com essa entrega somos
livres.
O caminho até aqui nem por isso foi fácil mas
tivémos a coragem de o fazer e se te amo é também por isso. Pela perseverança
apesar do medo.
O que te posso prometer continua a ser este
amor calmo que temos e as tiradas patetas que, volta e meia, te fazem rir à
gargalhada.
A minha casa é em ti e a vida só existe
porque tu estás.
Parabéns a nós!!
||
||
Mafalda
Veiga – Imortais | Tiago Bettencourt – Canção Simples | Sara Tavares – Quando dás
um pouco mais | Tom Jobim – Chega de Saudade |
Michael Bublé – Everything | Texas – When we are together
Só corridos à estalada. . .
6 de setembro de 2013
Quem trabalha com o “grande público” acaba
por tomar contacto com uma amostra bastante significativa da população de um
País. Em termos estatísticos é possível obter, ainda que de forma muito pouco
cientifica, uma ideia daquilo que somos e da forma como os comportamentos
individuais influem no nosso destino colectivo.
Ao trabalhamos com outras instituições
verificamos também que existe um efeito dominó com contornos de desgraça que
está enraizado na forma como fazemos as coisas. Não as fazemos bem logo desde o
inicio e contamos que seja sempre o próximo na cadeia alimentar a resolver os
problemas que tiveram origem nas nossas decisões – ou falta delas.
Quando se fala em crise de valores existe
efectivamente uma crise de valores. E os nossos problemas, obviamente
económicos, agravam-se - se é que não têm origem - na forma como achamos que
podemos seguir pela vida impunes, reclamando direitos imaginários e recusando
cumprir deveres básicos, basilares, essenciais ao correcto e justo
funcionamento das sociedades.
Nestes últimos dias os meus colegas e eu
temos ouvido coisas assustadoras, de tão absurdas, da parte de alguns clientes.
E porque as “pérolas de sabedoria” têm surgido de todo o lado não se pode
imputar apenas a um grupo social a culpa por todos os males. A falta de bom
senso é transversal a toda a sociedade; tão estúpido é o pobre como o rico. E é
assustador.
É assustador porque, na maior parte do tempo,
sinto que “estamos entregues aos bichos” e que resistir - tentando ser
coerente, correcto, bom cidadão e bom trabalhador – cada vez mais parece não
valer a pena.
Anda me indigno muito e acho que é essa
capacidade para ainda me indignar que me tem permitido não perder a perspectiva
daquilo que é correcto e daquilo que está errado; mas temo que um dia as coisas deixem de me ser
assim tão importantes e eu faça como os outros e apenas encolha os ombros e
siga no meio do rebanho. E no meio de tudo o que assusta é isso o que temo
mais: deixar de me importar..
... porque às vezes dá mesmo vontade...
Do pecado. . .
2 de setembro de 2013
Hoje, FINALMENTE, fomos ao médico. O
diagnóstico era o que se esperava: ombro com contratura e tendinite. Mrs
Teimosa vai andar a tomar um anti-inflamatório novo e mais forte com
recomendação de fisioterapia se não melhorar.
No caminho para casa e porque há festa na
freguesia não resistimos e “jantámos” ali mesmo.
O inferno deve estar cheio de boas intenções
relacionadas com dietas... mas a verdade é que não comia um cachorro-quente há anos... e soube-me pela vida. Ela disse o mesmo das suas bifanas.
P.S - A foto tem legenda...
P.S - A foto tem legenda...
Inventário's aftermath
1 de setembro de 2013
Sam
Smith - Nirvana
Este
inventário de Agosto continua a parecer-me, mesmo depois de tantos anos, uma
coisa que apenas loucos varridos são capazes de fazer... isso e aturar pais aos
berros. Entre uma coisa e outra venha o diabo e escolha.
Até as pontinhas dos dedos me doem.
Do morder a língua...
28 de agosto de 2013
Elevando o meu microcosmos laboral à dimensão
do nosso País é fácil perceber porque é que as coisas estão no estado em que
estão e onde reside a essência do problema.
Exige-se paciência sobre-humana para estes
lados. Paciência para aturar os pais que foram de férias e só agora se lembram
que têm filhos e paciência para aturar chefes que não fazem a mais pálida ideia
do que estão a fazer.
Paciência porque ainda falta um mês para as
férias.
P.S - Entretanto fomos ver o "A Gaiola Dourada" e recomendamos vivamente. É brilhante!
P.S - Entretanto fomos ver o "A Gaiola Dourada" e recomendamos vivamente. É brilhante!
Os da casa II
As pessoas que trabalham comigo têm-me em conta de
paciente, ponderada e de trato fácil. Dizem-me que mais depressa acaba o mundo
do que eu “perco a cabeça e parto a loiça toda”. Por isso, ontem, ao ter
passado – literalmente - o dia todo a resmungar porque, basicamente, tive de
desfazer uma porcaria de trabalho feito por ordem de alguém que ganha o
suficiente para ter mais juízo, desafiei as leis do universo e chateei a
moleirinha a toda a gente. Tanto que até eu me cansei de me ouvir... e logo eu, que nem por isso sou de muitas
falas.
Trabalhar com muitas mulheres é complicado
por todas as razões óbvias, instituídas, assumidas, erradamente presumidas e
todas aquelas que ainda não foram apontadas; mas trabalhar com muitos homens
também não é fácil. Em certos aspectos é pior. Sobretudo quando cada um deles
acha que mija mais longe do que o outro e que é mais inteligente do que o outro
e mais assertivo do que o outro e com mais autoridade do que todos. Era
manda-los medir e comparar as pilinhas para ver se deixavam as pessoas
trabalhar sossegadas.
Se há coisas que me irritam uma delas é a das
pessoas acharem que por serem hierarquicamente superiores são automaticamente mais
inteligentes. Não são. Não são! E não são porque insistem no erro de não
escutarem as equipas – que são quem, grosso modo, está por dentro da dinâmica do
trabalho – e imporem as suas vontades. Que mais tarde ou mais cedo se revelam
erradas e implicam perda de tempo e energia para toda a gente.
Os da casa
1 de agosto de 2013
A canção dos Ala dos Namorados fala dos “Loucos
de Lisboa” mas lá na minha Livraria existem os Loucos Residentes. Um deles,
rapaz ainda novo e que, de certa forma, ali vimos crescer, costumava sentar-se
no chão da secção infantil, encostado à estante de banda desenhada, a ler os
livros e a reproduzir alto os sons neles ilustrados. Não foram poucas as vezes
em que, estando a atender alguém, o meu discurso foi interrompido por um
VRUUUUUUUMMMMMM sonoro ou uma gargalhada maléfica.
Agora, porque temos sofás e banquinhos
espalhados por todo o lado, já não se senta no chão. Leva os livros – agora de
anedotas – para a zona nobre da Livraria e fica por lá sentado. Já não reproduz
os sons mas volta e meia – quando alguma criança se lembra de começar a chorar
e/ou aos berros – solta um “POUCO BARULHO QUE HÁ AQUI PESSOAS QUE ESTÃO A
TENTAR LER!!!!” que nos deixa a todos em sentido.
O outro louco residente, o meu preferido, é o
Srº Nascimento. É um senhor bem posto, dos seus 60 e poucos, alto, magro e de
voz profunda. Muito culto. Nem sempre em perfeito equilibrio mental mas
inofensivo.
No inicio, quando ainda não sabiamos lidar
com ele, ficávamos horas pavorosas a ouvi-lo falar. À custa disso ficou a saber
o signo de todas os funcionários da Livraria e passados estes anos todos ainda
se lembra. Também nós nos lembramos – dolorosamente bem – das suas faustas
preleções sobre astrologia.
Hoje passou por lá e como sempre, mesmo que
tenhamos a Livraria virada do avesso, completamente desarrumada e com tudo fora
de sitio, continuamos a ser os melhores do mundo. A melhor Livraria à face da
terra. E como sempre, assim que me viu, o cumprimento foi o mesmo.
- Srª
Gémeos, como está? Fantástica como sempre. A eterna jovem.
- A Srª Gémeos estava bem, obrigada.
Quase que gritava Habemus Papa! Mas faltou o quase. . .
Pope Francis: Who am I to judge gay people?
Mas... não é mau, não é mau. É menos mau. Como declaração
de princípios não é mau. Há que começar por algum lado.
1000 Papas de mão dada no fundo do mar são um bom princípio...
Horas mais tarde tropeço nisto e grito, sim, Habemus Bispo!
Pet Shop Boys – It’s a Sin
1000 Papas de mão dada no fundo do mar são um bom princípio...
Horas mais tarde tropeço nisto e grito, sim, Habemus Bispo!
Do refrão se faz canção inteira
27 de julho de 2013
Hum... a letra, coitadita, podia ser melhor...



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