Susan Sontag
17 de dezembro de 2013
A questão que mais me assalta e que já me
assaltou aquando da leitura do primeiro volume de diários de Susan Sontag, é o
que passará pela cabeça do filho – a quem coube a tarefa de os editar – ao confrontar-se
com esta versão, às vezes tão despida, da sua mãe. São páginas cheias de
anotações de carácter académico – muitas das quais quase indecifráveis para mim
– mas também de considerações pessoais, dolorosas, profundamente humanas e que
revelam uma pessoa com uma consciência muito acutilante das suas próprias
falhas, muito céptica não da sua capacidade de amar mas de ser amada, tão presa
aos escombros da infelicidade que lhe provocavam as mulheres com quem se
relacionava e de quem, de uma forma ou de outra, nunca se sentia à altura.
Ao mesmo tempo que não invejo a tarefa do filho
de Susan Sontag, invejo-o. Para um filho, compreender um pai é a tarefa a que
se dedica com mais resistência, sobretudo porque essa intenção – a de perceber
e, acto contínuo, perdoar – tem de partir da aceitação das suas próprias falhas
e dos seus próprios erros e da capacidade de acolher o outro com todas as suas
fragilidades e incongruências. O que, naturalmente, não é fácil. Sobretudo
quando levámos uma vida inteira a acreditar que aquilo que víamos era aquilo
que eles realmente eram.
Still a Grinch. . .
16 de dezembro de 2013
... mas um bocadinho mais soft. O suficiente
para fazer a árvore de Natal e dar-me conta de que o nosso presépio está cheio
de ovelhas e de cabras mas que continuam a faltar uma vaca e um burro...
Adenda: Em conversa com a Isabel e depois de concordarmos que este ano não vamos gastar mais dinheiro com presépios - tínhamos comprado três novos acrescentos e esquecemo-nos deles algures no Ikea - para o ano vamos comprar duas Marias, uma vaca e uma burra e vamos tentar desencantar três rainhas magas (ou transvestir os reis) para animar a coisa.
Fazes-me falta
15 de dezembro de 2013
A minha mãe faria hoje 68
anos. E ainda que sinta muita falta da minha melhor amiga e da cumplicidade
que, nós os filhos, tínhamos com ela; hoje não me assombra o pesar. Persiste
esta suave sensação de alegria por ter existido na minha vida esta mulher que
me deu vida e que me ensinou do mundo aquilo que realmente importa. Essa foi a
minha sorte e esse é o meu legado. Por isso, sem ladainhas e sem o sobrolho
carregado de saudade, parabéns Maria. Parabéns, minha mãe.
Piegas
11 de dezembro de 2013
Doente, com uma constipação de caixão à cova, e sozinha
em casa. Ainda pensei em fazer a árvore de Natal mas miserável como me sinto o
mais provável era deixar inválidos todos os animais do presépio. Vou ficar para
aqui a tossir as minhas mágoas com a esperança de que ela venha a voar do
trabalho para me dar miminhos... e o jantar...
Nunca mais acaba. . .
10 de dezembro de 2013
Farta, fartinha. Fartinha,
farta. E ainda falta tanto...
... será que se fizer a
àrvore de Natal cá em casa o espirito da coisa desce?
Mesmo com ovelhas que têm
as pernas partidas?
Tecnologias
Hoje, a cliente que a minha colega estava a
atender perguntou-lhe onde tínhamos a caixa multibanco mais próxima para efectuar um levantamento de dinheiro e assim poder pagar os livros porque o chispe
dela não estava funcionar nos nossos terminais de pagamento.
O estranho da vida se contar em décadas. . .
23 de novembro de 2013
... mas tudo parecer que ainda foi ontem...
Arte dramática
LOL! A parte do blurrrrrrbbbbbbbb (ou
whatever sound that is, aos 2:10)... eu faço isso... à Isabel... e ela nem por isso...
gosta... hum... ah! ah! Mas é tão
giro...
Se chover faço birra!!
10 de novembro de 2013
Ai... quando era pequena não entendia muito
bem a obsessão com que a minha mãe espreitava o céu e ia a correr pôr a roupa a
lavar para depois passar o tempo a ver quando ela secava ou, pelo menos, secava
o suficiente para se pode passar a ferro. Agora, ainda que não espreite o céu mas veja
obsessivamente as previsões do tempo, compreendo-a perfeitamente. Não há nada
que me irrite mais e me deixe mais desconsolada do que toalhas a cheirar a cão
da serra depois de dois ou três dias no estendal...
Portugal no seu melhor
8 de novembro de 2013
Acho que andamos todos um bocadinho
descontrolados. O que se passa no País é razão mais do que suficiente para uma
neurose colectiva mas creio que esta ameaça escalar rapidamente para um estado
de bipolaridade que me parece que, a longo prazo, degenerará numa sociedade mais
intolerante e com pouca capacidade critica.
Disparamos em todas as direcções menos
naquelas que interessam. Crucificamos Pepas e Margaridas Rebelos Pinto tontas a quem saltam
da boca palavras infelizes e deixamos passar incólume um Secretário de Estado
que diz não acreditar que num Centro de Emprego tivesse sido oferecido a uma
Pós-Graduada um estágio num cabeleireiro e que a tal acontecer isso só
significaria que o Instituto estava a prestar um mau serviço ao País. O que o deixava envergonhado.
Do baú
7 de novembro de 2013
A experimentar filtros novos em fotografias
antigas. Ao olhar para elas lembro-me do riso daquela tarde. Sempre o riso. O
meu riso atrás da câmara, o riso das modelos a quem se pedia que fizessem cara
séria e o riso da minha prima. Uma risota imensa que ecoa doce. Lá longe.
As imagens têm data mas o trabalho da primita, esse, é intemporal.
Sobre honra
4 de novembro de 2013
O Putin já veio dizer que
são todos bem vindos mas palavras leva-as o vento. E com uma das Pussy Riot
desaparecida – perdida pelo caminho enquanto mudava de prisão – as palavras
contam ainda menos.
Super-Homem
O melhor Super-Homem depois de Christopher Reeve e o melhor
filme de sempre sobre o Super-Homem. A sério!
Red Hot Chilly Tofu
Andamos a ver se alteramos alguns maus
hábitos alimentares e, sobretudo, se introduzimos novos alimentos na nossa
dieta - como tofu, arroz integral e quinoa – que possam servir como substitutos
ocasionais da carne e do arroz e massas normais. Não estamos a pensar fazer uma
mudança radical de alimentação mas o corpo pede-nos alguma moderação e melhores
escolhas. Em suma, mais coisas verdinhas e menos coisas deliciosamente doces.
Claro que eu entro num supermercado de
produtos naturais e “biológicos” e olho para tudo com desconfiança; confesso
que não partilho a 100% do entusiasmo da Isabel. Vagueio pelos corredores com a
nítida sensação de que a maior parte daquela comida se vai transformar, a
qualquer momento, em alguma coisa viva e perigosa… … … demasiados filmes, diz
ela…
A minha primeira incursão na confecção de
comida alien nem por isso ficou mal. Não, não se pode dizer que tenha ficado
mal. Ficou picante. Muito. Mesmo. A receita requeria pimenta cayene e eu obedeci.
Mais do que devia.
She kissed a girl e agora não quer outra coisa
20 de outubro de 2013
Como a
entendo, como a entendo.
Back to work
16 de outubro de 2013
Começo a trabalhar amanhã e para descansar desse esforço
sobre-humano tenho logo a seguir dois dias de folga. Nada mau, huh?
Cloudburst: link para download
15 de outubro de 2013
Vamos ver hoje. Tem legendas em Russo mas num tamanho que não
incomoda. Se alguém conseguir uma versão sem legendas que avise, please. Para já,
e à falta de melhor, podem fazer o download aqui.
Da monumental preguiça
14 de outubro de 2013
Um pé a pedir licença ao outro para ir ao supermercado. O
rabo alapado no sofá também não está para aí virado. O jantar hoje vai ser
minimal.
Scully!
1 de outubro de 2013
A tempestade do fim-de-semana – com os raios e coriscos
todos – deixou-nos outra vez a televisão com um poltergeist. Agora não se liga
nem desliga sozinha mas estamos sem som. A pesquisa na internet revelou que é
um problema comum nesta marca. Parece que as coisas agora são feitas para durar
pouco tempo.
À falta de som começámos a ver “Orange Is The New Black” e
escusado será dizer que ficámos viciadas. Em tudo e em todas. É mesmo hilariante e imprevisível.
A seguir talvez dê uma olhadela a esta “The Fall”. O
Policial não faz muito o género da Isabel mas não há como resistir à Gillian
Anderson.
Afinal havia outra
30 de setembro de 2013
Humilhação e Glória
Acabei de ler “Humilhação e Glória” de Helena Vasconcelos e
recomendo-o. Devia ser, inclusive, leitura obrigatória para todas as mulheres.
Para que saibam de onde vêm e para onde vão.
Tem um único senão: deve ser lido em casa a horas que proíbam
saídas impulsivas à procura de vingança. Não se recomenda a leitura em público sob
risco de sair disparado das vossas mãos em direcção à testa de algum homem
inocente.
This is Major Tom
Começo as férias com um murro no estômago. As coisas que
acontecem só aos outros acontecem também perto de casa, aos nossos. Temos de
estar atentos, temos de estar ligados. Numa época em que a comunicação é o mote
e a inspiração temos de rebentar a bolha para onde esse conceito nos remete e
isola e conectar-nos realmente. A vida não pode ser apenas contada e ter valor
pelos posts do facebook – há tanto que fica por dizer nas entrelinhas dos
smiles – há que estar cara a cara, há que escutar a voz sem a interferência de
um satélite, há que perceber no semblante e no olhar o que fica por dizer
depois de todas as palavras proferidas. Há que estar presente. Há que reservar
uma parte do dia – por diminuta que seja – ao cuidado de saber como estão os
outros; sair de nós, perceber o que nos rodeia, fazer parte do mundo, fazer
parte dos outros, fazer ligação à terra.
A vida por si só é uma grande surpresa e quando as más
acontecem às vezes é tarde demais. Temos de prevenir o tarde demais. Temos de
estar atentos. Temos de cuidar uns dos outros.
Transição
27 de setembro de 2013
I
Shall Believe - Sheryl Crow
O
bom do Outono, dos dias curtos e frios – transposta esta sensação de tristeza
que sempre me acossa na mudança de estação – é que vamos poder estar mais
agarradinhas no sofá e na cama.
Traces of you
13 de setembro de 2013
Todos os anos acho que vai ser diferente mas
no dia exacto em que te começas a descontar de mim sinto-me sempre como se
estivesse naquele corredor escuro onde apenas se escutavam os meus
passos e ao fundo do qual já te preparavas para partir.
É certo que a dor se atenua mas o espanto... o
espanto acho que aumenta. Estavas, já não estás e eu ainda me sobressalto. Acho
que vai ser sempre assim.
Mais quatro dias e começa um novo ciclo.
Programa despertar
11 de setembro de 2013
No mês em que mais precisava de dormir
sossegadinha, para me aguentar em pé, tenho homens a martelar no telhado e homens
a martelar na varanda. Se isso não bastasse, os homens do telhado têm um rádio sintonizado
na Rádio Renascença que vomita música e pérolas de sabedoria desde as 8:30 da
manhã. Não me falta, por isso, incentivo moral para enfrentar os agrestes progenitores.
Blue birds
10 de setembro de 2013
Hoje entrou um pássaro no back-office e por
momentos nada mais importou no mundo do que liberta-lo. Foi bom para nos lembrarmos de que existe vida e sanidade depois desta campanha demoníaca.
O meu caminho é por onde vais
8 de setembro de 2013
Tenho a impressão de que, naquele verão de há
seis anos, aconteceu tudo. Tudo o que pude controlar e tudo o que me fugiu do
controlo.
Foste-me acrescentada quando a vida arrancava
parte de mim e, às vezes, parece-me que o acaso de nos termos encontrado foi
engendrado para que em mim – ou em nós - não desabasse tudo.
Há dias em que parece que carregamos sobre os
ombros o peso de mil anos mas não há cansaço que sobreviva ao teu abraço. Ainda
me espanto, às vezes, pelo teu olhar que se cruza com o meu e pelo sorriso que
me aflora ao canto da boca. Pertences-me e eu pertenço-te e com essa entrega somos
livres.
O caminho até aqui nem por isso foi fácil mas
tivémos a coragem de o fazer e se te amo é também por isso. Pela perseverança
apesar do medo.
O que te posso prometer continua a ser este
amor calmo que temos e as tiradas patetas que, volta e meia, te fazem rir à
gargalhada.
A minha casa é em ti e a vida só existe
porque tu estás.
Parabéns a nós!!
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Mafalda
Veiga – Imortais | Tiago Bettencourt – Canção Simples | Sara Tavares – Quando dás
um pouco mais | Tom Jobim – Chega de Saudade |
Michael Bublé – Everything | Texas – When we are together
Só corridos à estalada. . .
6 de setembro de 2013
Quem trabalha com o “grande público” acaba
por tomar contacto com uma amostra bastante significativa da população de um
País. Em termos estatísticos é possível obter, ainda que de forma muito pouco
cientifica, uma ideia daquilo que somos e da forma como os comportamentos
individuais influem no nosso destino colectivo.
Ao trabalhamos com outras instituições
verificamos também que existe um efeito dominó com contornos de desgraça que
está enraizado na forma como fazemos as coisas. Não as fazemos bem logo desde o
inicio e contamos que seja sempre o próximo na cadeia alimentar a resolver os
problemas que tiveram origem nas nossas decisões – ou falta delas.
Quando se fala em crise de valores existe
efectivamente uma crise de valores. E os nossos problemas, obviamente
económicos, agravam-se - se é que não têm origem - na forma como achamos que
podemos seguir pela vida impunes, reclamando direitos imaginários e recusando
cumprir deveres básicos, basilares, essenciais ao correcto e justo
funcionamento das sociedades.
Nestes últimos dias os meus colegas e eu
temos ouvido coisas assustadoras, de tão absurdas, da parte de alguns clientes.
E porque as “pérolas de sabedoria” têm surgido de todo o lado não se pode
imputar apenas a um grupo social a culpa por todos os males. A falta de bom
senso é transversal a toda a sociedade; tão estúpido é o pobre como o rico. E é
assustador.
É assustador porque, na maior parte do tempo,
sinto que “estamos entregues aos bichos” e que resistir - tentando ser
coerente, correcto, bom cidadão e bom trabalhador – cada vez mais parece não
valer a pena.
Anda me indigno muito e acho que é essa
capacidade para ainda me indignar que me tem permitido não perder a perspectiva
daquilo que é correcto e daquilo que está errado; mas temo que um dia as coisas deixem de me ser
assim tão importantes e eu faça como os outros e apenas encolha os ombros e
siga no meio do rebanho. E no meio de tudo o que assusta é isso o que temo
mais: deixar de me importar..
... porque às vezes dá mesmo vontade...







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