Das coisas boas
É mais ou menos um cliente habitual e naquele
dia vendi-lhe um filme de terror. Pagou e hesitou um pouco em partir. Olhou-me
e disse, com um sorriso: “Sabe, hoje é um dia muito feliz para mim”.
Retribuo o sorriso com alguma surpresa e
pergunto-lhe porquê.
- O meu namorado pediu-me em casamento.
Permanecemos durante alguns momentos a sorrir, meios parvos, um
para o outro.
We'll get them next time
23 de janeiro de 2015
Bom... há os idiotas do costume mas a diferença que hoje encontrei nos comentários do Público – que são os únicos que consigo ler sem que, depois
de vomitar, me sinta impelida a ir para a rua espetar garfos em seres humanos –
é que algo mudou na forma como as pessoas entendem esta questão. Já são mais os
que dizem que o que importa é que a criança tenha acesso a um ambiente familiar
equilibrado e provido de amor do que estar institucionalizada. Que o crime aqui
é manter as crianças em instituições quando há quem queira providenciar-lhes
uma vida melhor. Que não importa quem, importa como.
Por isso concordo com a Isabel Moreira quando diz que este chumbo foi
uma vitória. Se não por outra coisa, para já, serviu para por as pessoas a
pensar. E pensar é bom.
Extremidades congeladas
17 de janeiro de 2015
Et voilá, com tanto frio, chuva e humidade
ei-la doente. Pelo menos está divertida. Ainda não parou de rir desde que pegou
no livro.
Estamos para aqui debaixo da manta como duas
vélhinhas ao borralho.
Ó raios!
15 de janeiro de 2015
Corro o risco de este blog se transformar
numa taberna mas... tem lá algum jeito? Primeiro dia de umas mini-férias - seis
dias away from work – e quê? Chuva?!? Chuva?!? Isto só lá vai mesmo com
pinga...
Reis e tradições
7 de janeiro de 2015
Esta foi a prendinha. Também cumprimos a tradição
da romã com desejos de prosperidade, amor e paz. Fui obrigada a comer a minha parte no café, na minha pausa para jantar, não fosse o metro atrasar-se e eu não chegar a casa antes da meia-noite. Mi mujer e as suas tradições são para levar a sério... sobretudo quando ela faz questão de presenciar o ritual... e existe uma faca por perto...
Let's savor it
2 de janeiro de 2015
A resolução de ano novo do ano passado, que
era “respirar”, deu lugar a uma
mudança de paradigma e o mote acabou por ser: “who’s the bitch? I’m the bitch!”. Claro que não me transformei num
monstro, apenas aprendi a não me deixar perturbar pelo ruído à minha volta e a
confiar mais no meu instinto. Estive “muito na minha” e correu bem.
Para este ano não tenho resoluções. Só espero conseguir continuar a fazer o melhor de que sou capaz com tudo o que me for
aparecendo pelo caminho e viver mais coisas que saibam bem.
Amizades potencialmente perigosas
30 de dezembro de 2014
Hoje pediram-me o “A raposa que ensinou a gaivota a voar”.
Quis saber se, no fim, a gaivota sobrevive.
Oh! Oh! Ai!
27 de dezembro de 2014
Por
aqui o Natal foi um pouco extenuante e, thank god, it’s over. Gente, gente e
mais gente em modo canibal, sugando-nos as energias e torrando-nos a paciência.
Já acabou. Ufa!
Naquilo
que interessa foi giro... raspadinhas, boa pinga e coisas para lembrar.
Se
isto continuar em modo sprint até à passagem de ano, ficam já os votos de bom
2015. Divirtam-se! Be kind.
Pecado da gula
26 de novembro de 2014
Se ela não me tivesse batido nas mãos, em vez
da sopa tinha comido este belíssimo pão de espelta todo. Todinho. E não deixava
migalha para contar a história. Estava tão bom. Fresquinho e cheiroso...
Quando o melhor é desligar a TV
22 de novembro de 2014
Isto da política está quase, quase, quase,
tão mau quanto a Casa dos Segredos e programas afins.
Santa Paciência
Perguntou-me
se tínhamos livros da Clarice Listopan e deitou-me um ar reprovador quando questionei: "Listopan?". Que sim, insistiu, num tom que denunciou a crença de que, quase de certeza, não teríamos nada dela. E não é que tinha razão? Rebolei os olhos e
encaminhei-o para a estante da Clarice Lispector.
Outro
pediu-me o “Feliz Mente ao Luar”. Quando lhe apresentei o
“Felizmente há Luar” duvidou e disse que ia confirmar com a
professora.
Deveres cívicos
Então
é assim: quando eu vos pergunto, queridos clientes da minha
livraria, se pretendem factura com número de contribuinte eu espero
apenas duas respostas possíveis. Ou sim. Ou não. Nenhuma das abaixo
mencionadas é válida:
-
Eu não quero que eles saibam o que eu ando a ler;
-
Já tenho dois carros, não preciso de outro;
-
Ainda ganho o carro e isso é um presente envenenado;
-
Ponha aí o da Ministra (é crime, querido cliente, é crime...);
-
Eu não sou fiscal das finanças;
-
Ui! Eles ainda aumentam os impostos;
-
Assim ficam a achar que vivemos acima das possibilidade;
- Eles não merecem;
-
Etc, etc, etc...
É
que vocês são extremamente chatos! Por um lado acham que têm piada
e talvez tenham, à primeira ou segunda vez que ouvimos isso mas... 1
milhão de vezes depois já não há muito por onde rir. E depois,
meus queridos clientes, pedir factura não põe o SIS a expiar-vos apenas porque compraram o terceiro volume das “50 Sombras de Grey” para
oferecer às vossas mulheres, se tanto apenas entristece o livreiro
porque há coisas bem melhores para ler esquecidas nas estantes.
Ignorem, portanto, o vosso reportório de frases feitas sobre o
assunto e digam “sim” ou “não”. De preferência “sim”,
que o País agradece e a nós não nos custa nada.
This is how we walk on the moon
O
que eu gostava mesmo mesmo mesmo de saber é como raio, de repente,
estamos a dois meses do Natal. Alguém me explica onde o rais ma
parta foi o resto do ano? Mas isto agora é assim? A correr?
Havemos de ir a Viana. . .
13 de outubro de 2014
…
e
a Caminha. E fomos. Against all odds o fim de semana foi sem chuva o
que nos permitiu aproveitar bem dos prazeres do Minho. Mar, rio e
montanha aliaram-se à simpatia das gentes para nos aquecer o
coração... e o estômago. O único senão foram as noites ruidosas
da rua onde ficava o nosso Hostel mas, ainda assim, o cansaço por
tanta caminhada foi o suficiente para nos tornar um pouco imunes a
ele. De resto, recomenda-se. E voltaremos.

Excalibur
9 de outubro de 2014
Ó
pá... mas esta tudo maluco? Está tudo doido? Tenho imensa pena de
que tenham abatido o cão e questiono-me se não haveria outra coisa
que pudesse ter sido feita – pôr o cão de quarentena, fazer-lhe
exames... whatever – mas se as autoridades competentes, que têm um
outro nível de conhecimento sobre o que se está a passar, decidem
que o melhor é abater o cão então abate-se o cão. Temos muita
pena mas, em caso de dúvida e havendo tantas dúvidas sobre como se
processa o contágio entre pessoas e animais e vice-versa, corre-se o
menor risco possível e abate-se o cão. Custa? Dói? Custa e dói
mas a saúde pública é uma coisa com que não se pode brincar.
Espanha aprendeu isso da pior maneira possível.
Mas
não é isto que me chateia.
Entendo
a emoção que este caso provoca e entendo que os defensores dos
animais se tenham insurgido. É natural. É mais natural ainda que
entre os que se resignam com o abate e os que estão contra não
exista consenso. O que me chateia é este alvoroço todo em torno do
abate do cão quando a questão mais pertinente passa completamente
ao lado dos que se digladiam nas redes sociais. Há pessoas a morrer.
Repito. Há pessoas a morrer. Em África. Morreram já milhares de
pessoas e ninguém - ninguém - dos que se indignam com o abate do
animal, acrescentou uma frase aos seus comentários para dizer: “e
é preciso mandar ajuda urgente e eficaz para África. É preciso ir
ajudar aquela gente. Se o cão morreu em vão, então que se evitem
outras mortes...” Ninguém.
Isto
chateia-me. Solenemente.
Não
é que as vidas tenham um valor diferente, toda a vida tem valor e
deve ser preservada, mas fico muito preocupada quando a morte
de um animal mobiliza e incendeia a consciência das pessoas enquanto
a morte de mais de três mil seres humanos lhes é manifestamente
indiferente. Parte disto explica-se com a questão da proximidade, o
cão estava aqui ao lado... mas o mundo, hoje, é todo aqui ao lado
pelo que não há muito por onde justificar isto. O que há é uma atroz
falta de bom senso.
Vistas sobre Lisboa
6 de outubro de 2014
Fomos
ver hoje e é tão bom assistir a cinema português que não tem
outra pretensão para além da de contar uma boa história. A Maria do
Céu Guerra está absolutamente fantástica. Recomenda-se. Muito.
The perfect family
5 de outubro de 2014
Tínhamos
este filme em lista de espera há bastante tempo e hoje decidimos
vê-lo. Primeiro dia de férias e tal e a coisa proporcionou-se. Não
é uma obra prima mas é interessante, pertinente e divertido quanto
baste. É, sobretudo, verosímil e tem uma ou outra coisa com a qual
nos identificamos porque, a seu modo, também nós passámos e/ou
passamos por isto no seio da nossa própria família.
Transparent
27 de setembro de 2014
O mundo cheio de coisas bonitas para descobrir, para entender. É só deixa-lo interpelar-nos.
Os dias em rapsódia
11 de setembro de 2014
Entre visitas de amigos e passeios pela cidade comemorámos 7 anos de vida em conjunto. Do alto desta pequena montanha olhamos como o sol toca o que antes era escuro.
O que faz falta é animar a malta
24 de agosto de 2014
Tenho
andado de poucas palavras. Engolida pela campanha de regresso às
aulas a sensação que este ano me sobra é a de que “been there, done
that”. A oeste nada de novo. Vira o disco e toca o mesmo.
Para
quebrar um pouco a rotina temos passeado pela cidade. O Porto
fervilha, há que ver tudo, experimentar, fazer parte. Sabe tão bem.


























