O fim dos beijos censurados
23 de março de 2015
No Brasil andam a espumar-se de raiva e ódio
por causa disto. Que bom! Que se espumem de raiva e ódio e que se esgasguem com
a sua própria estupidez. Pode ser que, por fim, vejam a luz que os resgate à
sua voluntária e negra ignorância.
E por cá também!
Uma novela é uma novela é uma novela mas, às
vezes... dá um empurrãozinho.
Uma mulher educa-se #1
14 de março de 2015
Foi sempre tudo tão difícil que só me apetece abanar, até os ossos
tilintarem, as mulheres que tomam tudo como garantido e caminham pelo mundo com
a "delicadeza" de um bronco, nada acrescentando à sua passagem.
É tarde e ocorrem-me pensamentos estranhos. . .
10 de março de 2015
E se um dia o universo parasse de se expandir e, em vez de existir dentro dos limites da matéria, começasse a recuar de regresso ao principio, de tal forma que todo o tempo andava para trás e eu deixava de existir mesmo antes de terminar esta ideia?
Em guerra
9 de março de 2015
Tenho uma espécie de sentimento contraditório
em relação ao dia da mulher e em relação à luta pelos direitos das mulheres. Se
por um lado julgo, obviamente, que são necessários e não se podem esquecer nem
acreditar que assim já está bem; por outro, que raio!, estamos em pleno século
XXI, era suposto já não ser preciso. Era suposto termos sido capazes de nos
educar, assim como terem sido capazes de nos educar, em prol da igualdade e da
consciência de que os direitos fundamentais são direitos fundamentais e não
privilégio apenas de alguns.
E não, pensando melhor nem é bem um sentimento contraditório. É mesmo raiva! Raiva pela ineficácia das políticas e pela tão pouca vontade de mudar as coisas. Seja nas altas esferas seja em casa, no seio das famílias.
Sim, já percorremos um caminho muito grande e
muito largo nestes 40 anos de democracia mas, ao mesmo tempo, parece que não. É
desconcertante que haja necessidade de repetir constantemente os mesmos apelos
e macabro que, ao fim de tanto tempo, de tantos anos, de tantos séculos, eles
ainda não tenham sido realmente escutados e, sobretudo, aceites como válidos.
A esperança de que “água mole em pedra dura”
surta o seu efeito não me conforta e desgasta-me porque na maior parte das
vezes a sensação que sobra é a de que se fala contra uma imensa parede que,
para além de estática é surda, muda e estúpida.
Where's the sun?
22 de fevereiro de 2015
Normal days @ the office
20 de fevereiro de 2015
- Olhe, desculpe, dê-me uma
informação que assim é mais rápido e não tenho de andar à procura. São tantos
livros...
- Sim, claro, em que posso
ajudar?
- Não terá assim um livro
que fale sobre uma pessoa que está a aprender a tocar acordeão?
Um livreiro nestas ocasiões
pestaneja muito – porque lhe apetece desatar num pranto e não fica bem expor-se
ao mundo com tamanha demonstração de fraqueza emocional – e responde com o tom
mais cordial que consegue arrancar das entranhas da sua miséria:
- Olhe, acredito que exista
mas, infelizmente, nós não temos.
Numa nota mais cruel, porque
o livreiro tem de morder a língua muitas vezes para não responder aquilo que
lhe vai na alma, apetecia-me dizer-lhe:
- Olhe que pena não ter
passado cá no início da semana!! Tinha-se encontrado com a cliente que nos
perguntou se ainda tínhamos aquele livro com muitas imagens que se abria e
parecia uma concertina.
Juro-vos que ambas as
histórias me aconteceram esta semana.
Império sem sentidos
17 de fevereiro de 2015
Ó pá... as 50 Sombras são o que são e valem o
que valem e desde que as pessoas estejam conscientes disso está tudo bem.
Agora... do que raio estavam à espera num filme classificado para maiores de 16
anos?
Que não havia sexo nem sangue nem nada, diz-me ela do outro lado do
balcão, enquanto a filha – que certamente não devia ter mais do que dezasseis anos, dezassete no máximo – repetia “Spoiler! Spoiler! Spoiler!” incitando o meu cérebro a entrar, lentamente, em curto-circuito para evitar responder-lhes à letra.
Valentinas
13 de fevereiro de 2015
O dia dos namorad@s não nos diz muito mas, de
vez em quando, lá nos lembramos da data e lá nos propomos a fazer qualquer
coisa. Como vou estar a trabalhar no dia em questão antecipámos a comemoração e
fomos ontem ao Teatro. Já não íamos ver uma peça há muito tempo e logo
percebemos a falta que nos fazia. E como é belo, sempre belo.
Fomos ver “Gata em Telhado de Zinco Quente”
do Tennessee Williams pelos Artistas Unidos. Adorámos! A peça, ao contrário do
filme, não foge ao seu desígnio e persegue afincadamente o tema da
homossexualidade, encurralando as personagens até que, quase em grito, elas
enfrentam a provocação e a suspeita e expressam amor enquanto se afogam na sua
própria culpa. E na bebida. E no desespero. E no vazio. E na mentira. Num ciclo
que não se quebra apenas porque, por breves momentos, houve um lampejo de
honestidade.
Não é um texto com final feliz. É um texto
com o final possível, vago e constrangedor. Talvez, por isso, mais verdadeiro
do que qualquer outro desenlace. Assim... meio sem sal, como às vezes a vida.
Dos acessos de raiva!
Ah e tal, os escuteiros são amigos da
natureza e isso... bichinhos e outros inhos que tais... e? Porque raio, então,
deitaram abaixo, cerradas pelo tronco, as àrvores – belas e frondosas – que havia
na sede de agrupamento ao lado da minha casa? Why? Estou que os ferrava a
todos!!!
Da Alemanha nem só Merkle
10 de fevereiro de 2015
Long live
the Soap Operas... when there are lesbians in it... mas o drama... o drama - o
delas e o dos outros - é de cortar os pulsos. Pior mesmo só as novelas da
TVI.
Quem quiser espreitar que bata a esta porta; costumam abrir. É assim uma espécie de sociedade secreta que procura manter-se abaixo dos radares do youtube e dos direitos de autor... essas coisas legais que o cidadão comum desrespeita quando o bem da humanidade - ou da comunidade - fala mais alto.
Agora, preparem-se, não vão ficar mais inteligentes... e sim, é a típica história straight girl meets gay girl e yada yada yada.
Mas é giro antes de começar a ser chato.
Agora, preparem-se, não vão ficar mais inteligentes... e sim, é a típica história straight girl meets gay girl e yada yada yada.
Mas é giro antes de começar a ser chato.
Das coisas boas
É mais ou menos um cliente habitual e naquele
dia vendi-lhe um filme de terror. Pagou e hesitou um pouco em partir. Olhou-me
e disse, com um sorriso: “Sabe, hoje é um dia muito feliz para mim”.
Retribuo o sorriso com alguma surpresa e
pergunto-lhe porquê.
- O meu namorado pediu-me em casamento.
Permanecemos durante alguns momentos a sorrir, meios parvos, um
para o outro.
We'll get them next time
23 de janeiro de 2015
Bom... há os idiotas do costume mas a diferença que hoje encontrei nos comentários do Público – que são os únicos que consigo ler sem que, depois
de vomitar, me sinta impelida a ir para a rua espetar garfos em seres humanos –
é que algo mudou na forma como as pessoas entendem esta questão. Já são mais os
que dizem que o que importa é que a criança tenha acesso a um ambiente familiar
equilibrado e provido de amor do que estar institucionalizada. Que o crime aqui
é manter as crianças em instituições quando há quem queira providenciar-lhes
uma vida melhor. Que não importa quem, importa como.
Por isso concordo com a Isabel Moreira quando diz que este chumbo foi
uma vitória. Se não por outra coisa, para já, serviu para por as pessoas a
pensar. E pensar é bom.
Extremidades congeladas
17 de janeiro de 2015
Et voilá, com tanto frio, chuva e humidade
ei-la doente. Pelo menos está divertida. Ainda não parou de rir desde que pegou
no livro.
Estamos para aqui debaixo da manta como duas
vélhinhas ao borralho.
Ó raios!
15 de janeiro de 2015
Corro o risco de este blog se transformar
numa taberna mas... tem lá algum jeito? Primeiro dia de umas mini-férias - seis
dias away from work – e quê? Chuva?!? Chuva?!? Isto só lá vai mesmo com
pinga...
Reis e tradições
7 de janeiro de 2015
Esta foi a prendinha. Também cumprimos a tradição
da romã com desejos de prosperidade, amor e paz. Fui obrigada a comer a minha parte no café, na minha pausa para jantar, não fosse o metro atrasar-se e eu não chegar a casa antes da meia-noite. Mi mujer e as suas tradições são para levar a sério... sobretudo quando ela faz questão de presenciar o ritual... e existe uma faca por perto...
Let's savor it
2 de janeiro de 2015
A resolução de ano novo do ano passado, que
era “respirar”, deu lugar a uma
mudança de paradigma e o mote acabou por ser: “who’s the bitch? I’m the bitch!”. Claro que não me transformei num
monstro, apenas aprendi a não me deixar perturbar pelo ruído à minha volta e a
confiar mais no meu instinto. Estive “muito na minha” e correu bem.
Para este ano não tenho resoluções. Só espero conseguir continuar a fazer o melhor de que sou capaz com tudo o que me for
aparecendo pelo caminho e viver mais coisas que saibam bem.
Amizades potencialmente perigosas
30 de dezembro de 2014
Hoje pediram-me o “A raposa que ensinou a gaivota a voar”.
Quis saber se, no fim, a gaivota sobrevive.
Oh! Oh! Ai!
27 de dezembro de 2014
Por
aqui o Natal foi um pouco extenuante e, thank god, it’s over. Gente, gente e
mais gente em modo canibal, sugando-nos as energias e torrando-nos a paciência.
Já acabou. Ufa!
Naquilo
que interessa foi giro... raspadinhas, boa pinga e coisas para lembrar.
Se
isto continuar em modo sprint até à passagem de ano, ficam já os votos de bom
2015. Divirtam-se! Be kind.
Pecado da gula
26 de novembro de 2014
Se ela não me tivesse batido nas mãos, em vez
da sopa tinha comido este belíssimo pão de espelta todo. Todinho. E não deixava
migalha para contar a história. Estava tão bom. Fresquinho e cheiroso...
Quando o melhor é desligar a TV
22 de novembro de 2014
Isto da política está quase, quase, quase,
tão mau quanto a Casa dos Segredos e programas afins.
Santa Paciência
Perguntou-me
se tínhamos livros da Clarice Listopan e deitou-me um ar reprovador quando questionei: "Listopan?". Que sim, insistiu, num tom que denunciou a crença de que, quase de certeza, não teríamos nada dela. E não é que tinha razão? Rebolei os olhos e
encaminhei-o para a estante da Clarice Lispector.
Outro
pediu-me o “Feliz Mente ao Luar”. Quando lhe apresentei o
“Felizmente há Luar” duvidou e disse que ia confirmar com a
professora.
Deveres cívicos
Então
é assim: quando eu vos pergunto, queridos clientes da minha
livraria, se pretendem factura com número de contribuinte eu espero
apenas duas respostas possíveis. Ou sim. Ou não. Nenhuma das abaixo
mencionadas é válida:
-
Eu não quero que eles saibam o que eu ando a ler;
-
Já tenho dois carros, não preciso de outro;
-
Ainda ganho o carro e isso é um presente envenenado;
-
Ponha aí o da Ministra (é crime, querido cliente, é crime...);
-
Eu não sou fiscal das finanças;
-
Ui! Eles ainda aumentam os impostos;
-
Assim ficam a achar que vivemos acima das possibilidade;
- Eles não merecem;
-
Etc, etc, etc...
É
que vocês são extremamente chatos! Por um lado acham que têm piada
e talvez tenham, à primeira ou segunda vez que ouvimos isso mas... 1
milhão de vezes depois já não há muito por onde rir. E depois,
meus queridos clientes, pedir factura não põe o SIS a expiar-vos apenas porque compraram o terceiro volume das “50 Sombras de Grey” para
oferecer às vossas mulheres, se tanto apenas entristece o livreiro
porque há coisas bem melhores para ler esquecidas nas estantes.
Ignorem, portanto, o vosso reportório de frases feitas sobre o
assunto e digam “sim” ou “não”. De preferência “sim”,
que o País agradece e a nós não nos custa nada.
This is how we walk on the moon
O
que eu gostava mesmo mesmo mesmo de saber é como raio, de repente,
estamos a dois meses do Natal. Alguém me explica onde o rais ma
parta foi o resto do ano? Mas isto agora é assim? A correr?
Havemos de ir a Viana. . .
13 de outubro de 2014
…
e
a Caminha. E fomos. Against all odds o fim de semana foi sem chuva o
que nos permitiu aproveitar bem dos prazeres do Minho. Mar, rio e
montanha aliaram-se à simpatia das gentes para nos aquecer o
coração... e o estômago. O único senão foram as noites ruidosas
da rua onde ficava o nosso Hostel mas, ainda assim, o cansaço por
tanta caminhada foi o suficiente para nos tornar um pouco imunes a
ele. De resto, recomenda-se. E voltaremos.

































